ESTÂNCIA VI

Nosso Mundo, Seu Crescimento e Desenvolvimento

Para outras informações sobre esta expressão peculiar "o Dia do Sê Conosco", veja-se também The Funerary Ritual of the Egyptians, pelo Visconde de Rougé.

1. Pelo poder da Mãe de Misericórdia e Conhecimento (a), Kwan-Yin

— a Trina de Kwan-Shai-Yin (b) — Fohat, o Sopro de sua Progênie, o Filho dos

Filhos, tendo feito sair das profundezas do Abismo356 inferior a Forma Ilusória

de Sien-Tchan357 e os Sete Elementos.

Como a Estância foi traduzida do texto chinês, conservaram-se os nomes

dados como equivalentes dos termos originais.

Declinar a verdadeira nomenclatura

esotérica só serviria para confundir o leitor.

A doutrina bramânica não possui

equivalentes para aqueles termos: Parece que Vâch, sob muitos aspectos, se

aproxima da Kwan-Yin chinesa; mas na índia não existe um culto regular de Vâch

sob este nome, como há na China o de Kwan-Yin.

Nenhum sistema religioso

exotérico adotou jamais um Criador feminino; a mulher, desde o início das religiões

populares, foi sempre considerada e tratada como inferior ao homem.

Na China e no

Egito é que Kwan-Yin e Isis foram equiparadas aos deuses masculinos.

O

Esoterismo não leva em conta os sexos.

Sua Divindade mais elevada carece de

sexo e de forma: não é nem Pai nem Mãe, e os seus primeiros seres manifestados,

celestes e terrestres, só gradualmente passam a ser andróginos, para finalmente se

separarem em dois sexos distintos.

(a) A "Mãe de Misericórdia e de Conhecimento" é chamada a "Trina" de

Kwan-Shai-Yin, porque em suas correlações metafísicas e cósmicas é a "Mãe, a

Esposa e a Filha" do Logos, da mesma forma que nas últimas versões teológicas se

converteu em "Pai, Filho e Espírito Santo (feminino)" — a Shakti ou Energia —, a

O Caos.

Nosso Universo.

Essência dos Três.

Assim, no Esoterismo dos vedantinos, Daiviprakriti, a Luz

manifestada por meio de Ishvara, o Logos358, representa ao mesmo tempo a Mãe e

a Filha do Logos, ou Verbo de Parabrahman; ao passo que, nos ensinamentos

trans-himalaicos (e na hierarquia de sua teogonia alegórica e metafísica), é a "Mãe"

ou Matéria abstrata e ideal, Mûlaprakriti, a Raiz da Natureza; do ponto de vista

metafísico, uma correlação de Âdi-Bûtha, manifestada no Logos, Avalokiteshvara; e

no sentido puramente oculto e cósmico, Fohat, o "Filho do Filho", a energia

andrógina que provém daquela "Luz do Logos" e que se manifesta no plano do

Universo objetivo como a Eletricidade, tanto latente como revelada, que é a Vida.

Diz T. Subba Row:

"A evolução principia pela energia intelectual do

Logos... e não simplesmente pelas potencialidades contidas

em Mûlaprakriti.

Essa Luz do Logos é o liame... entre a matéria

objetiva e o pensamento subjetivo de Ishvara (ou Logos). É

chamada Fohat em vários livros budistas.

É o instrumento por

meio do qual o Logos opera359."

(b) "Kwan-Yin-Tien" significa o "Céu Melodioso do Som", a morada de

Kwan-Yin, ou a "Voz Divina". Esta "Voz" é um sinônimo do Verbo ou Palavra, a

"Linguagem", a expressão do Pensamento.

Pode-se ver aí a conexidade e a origem

da Bath-Kol hebréia, a "Filha da Voz Divina", ou o Verbo, ou o Logos masculino e

feminino, o "Homem Celeste", Adão-Kadmon, que é ao mesmo tempo Sephira.

A

última foi seguramente precedida pela Vâch hindu, a deusa da Linguagem ou da

The Theosophist, fevereiro de 1887, pág.

305.       Op. cit., pág.

306.

Palavra.

Porque Vâch — a filha e porção feminina, como já se disse, de Brahmâ,

"gerada pelos deuses" — é, juntamente com Kwan-Yin, com Ísis (também filha,

esposa e irmã de Osíris) e outras deusas, o Logos feminino, por assim dizer, a

deusa das forças ativas da Natureza, a Palavra Voz ou Som, e a Linguagem.

Se

Kwan-Yin é a "Voz Melodiosa", Vâch é a "vaca melodiosa que dá o alimento e a

água (o princípio feminino), sob a forma de leite... quem nos nutre e sustenta" como

nossa Mãe-Natureza.

Ela está associada a Prajâpati na obra da criação.

É fêmea ou

macho ad libitum, como Eva o é com Adão.

É uma forma de Aditi — o princípio

superior ao   Æther — de Âkâsha, síntese de todas as forças da Natureza.

Assim, Vâch e Kwan-Yin são, ambas, o poder mágico do Som Oculto na Natureza e no

Æther, aquela "Voz" que faz sair do Caos e dos Sete Elementos o Sien-Tchan, a forma ilusória do Universo.

Vê-se, por isso, em Manu, Brahmâ (ou o Logos) dividindo

o seu corpo em duas partes, masculina e feminina, e criando nesta última (que é

Vâch) a Virâj, o qual é ele próprio, ou Brahmâ, novamente.

Eis como um sábio vedantino e ocultista se externa a respeito daquela

"deusa", explicando as razões por que Îshvara (ou Brahmâ) é chamado o Verbo ou

Logos — em última análise, porque lhe dão o nome de Shabda Brahman:

"A explicação que vou apresentar há de parecer

sobremodo mística; mas, embora mística, tem uma significação

das mais transcendentes, se devidamente compreendida.

Diziam os nossos escritores antigos que há quatro espécies de

Vâch (vejam-se o Rig Veda e os Upanishads). Vaikhari Vâch é

como preferimos dizer.

Cada espécie de Vaikhari Vâch existe

inicialmente em sua forma Madhyama, depois na de Pashyanti,

e finalmente em sua forma Para360. A razão pela qual este

Pranava se chama Vâch está em que os quatro princípios do

grande Cosmos correspondem a essas quatro formas de Vâch.

Por outra parte, todo o sistema solar manifestado existe em sua

forma Sûkshma na luz ou na energia do Logos, porque a sua

energia é arrebatada e transferida para a matéria cósmica...

Todo o Cosmos em sua forma objetiva é Vaikhari Vâch, a luz

do Logos é a forma Madhyama, o próprio Logos é a forma

Pashyanti, e Parabrahman é o aspecto Para de Vâch.

À luz

desta explicação devemos procurar compreender certos

ensinamentos de vários filósofos, segundo os quais o Cosmos

manifestado é o Verbo manifestado como Cosmos361."

2. O Veloz e Radiante Um produz os Sete Centros Laya (a)362, contra

os quais ninguém prevalecerá até o Grande Dia "Sê Conosco"; e assenta o

Universo sobre estes Eternos Fundamentos, rodeando Sien-Tchan com os

Germes Elementais (b).

(a) Os Sete Centros Laya são os sete pontos zero, tomando a palavra

zero no mesmo sentido que lhe dão os químicos.

Em Esoterismo indica o ponto em

que se começa a contar a escala de diferenciação.

A partir destes Centros — além dos quais a Filosofia Esotérica nos

permite captar os vagos contornos metafísicos dos "Sete Filhos" de Vida e de Luz,

Madhya entende-se como algo cujo princípio e cujo fim são desconhecidos, e Para significa infinito.

Estas expressões se referem ao infinito e à divisão do tempo.

Op. Cit., pág.

307.     Do sânscrito Laya, o ponto da matéria em que cessou toda a diferenciação.

os Sete Logos dos pensadores herméticos e de outros filósofos — tem início a

diferenciação dos Elementos que entram na constituição do nosso sistema solar.

Tem-se perguntado com freqüência qual a definição exata de Fohat, e

quais os seus poderes e funções, visto parecer que exerce os atributos de um Deus

pessoal semelhante ao das religiões populares.

A resposta vem de ser dada no

comentário à Estância V. Conforme foi expresso com muita justeza nas

Conferências sobre o Bhagavad-Gîtâ: "Todo o Universo deve necessariamente

existir na fonte una de energia, de onde emana esta luz (Fohat)." Quer

consideremos como sete ou somente como quatro os princípios do Cosmos e do

homem, as forças da Natureza física são sete; e afirma a mesma autoridade que

"Prajnâ, ou a capacidade de percepção, existe sob sete diferentes aspectos, que

correspondem a outras tantas condições da matéria". Porque, "assim como o ser

humano se compõe de sete princípios, assim também a matéria diferenciada do

sistema solar existe em sete condições diferentes363". O mesmo ocorre em relação

a Fohat, que tem vários significados, como já dissemos.

Fohat é chamado o

"Construtor dos Construtores". A força que personifica formou a nossa Cadeia

Setenária.

E Um e Sete; e na esfera cósmica está por trás de todas as

manifestações conhecidas como luz, calor, som, coesão etc.

etc.; sendo o "espírito"

da eletricidade, que é a Vida do Universo.

Como abstração, nós o chamamos a Vida

Una; como Realidade objetiva e evidente, falamos de uma escala setenária de

manifestação, que começa no grau superior com a Causalidade Una e

Incognoscível, e termina como Mente e Vida Onipresentes, imanentes em cada

átomo de Matéria.

Assim, enquanto a Ciência fala de uma evolução através da

matéria grosseira, das forças cegas e do movimento inconsciente, os Ocultistas

Five Years of Theosophy: artigo "Deus Pessoal e Impessoal", pág.

200.

indicam a Lei Inteligente e a Vida Senciente, acrescentando que Fohat é o Espírito

que conduz e guia tudo isso.

Não é, entretanto, um Deus pessoal, mas a emanação

daqueles outros Poderes que existem por trás dele, denominados pelos cristãos os

"Mensageiros" do seu Deus (na realidade, dos Elohim, ou melhor, de um dos Sete

Criadores chamados Elohim), e que nós designamos como o Mensageiro dos Filhos

primordiais da Vida e da Luz.

(b) Os "Germes Elementais", de que Fohat semeou Sien-Tchan (o

Universo), desde Tien-Sin (os "Céus da Mente" ou o que é absoluto), são os Átomos

da Ciência e as Mônadas de Leibnitz.

3. Dos Sete364 — primeiro Um manifestado, Seis Ocultos; Dois

manifestados, Cinco ocultos; Três manifestados, Quatro ocultos; Quatro

produzidos, Três ocultos; Quatro e Um Tsan365 revelados, Dois e Meio ocultos;

Seis para serem manifestados, Um deixado à parte (a). Por último, Sete

Pequenas Rodas girando; uma dando nascimento a outra (b).

(a) Se bem que as Estâncias se refiram a todo o Universo após um

Mahâpralaya (Dissolução Universal), esta frase, como todo estudante de ocultismo

pode ver, também diz respeito, por analogia, à evolução e à formação final dos Sete

Elementos primitivos (embora compostos) de nossa Terra.

Destes Elementos, quatro

se acham atualmente manifestados em sua plenitude, enquanto o quinto, o Éter, só

o está em parte; como chegamos apenas à segunda metade da Quarta Ronda, o

quinto Elemento não deverá manifestar-se plenamente senão na Quinta Ronda.

Os

Elementos.

Fração

Mundos, o nosso inclusive, foram, nos seus primórdios, como germes, naturalmente

desenvolvidos do Elemento Um em sua segunda fase (o "Pai-Mãe", a Alma

diferenciada do Mundo, não o que Emerson chama "Super-Alma"), quer se dê a esta

fase o nome de poeira cósmica ou névoa de fogo, segundo a Ciência, quer se dêem

os de Âkâsha, Jivâtmâ, Luz Astral Divina ou "Alma do Mundo", segundo o Ocultismo.

Mas este primeiro estádio da Evolução foi seguido por outro, com o transcurso do

tempo.

Nem mundos nem corpos celestes podiam ser construídos no plano objetivo

antes que os Elementos se houvessem diferenciado suficientemente do Ilus

primitivo, em que faziam quando repousavam em Laya.

Este último termo é sinônimo

de Nirvana.

É, realmente, a dissociação nirvânica de todas as substâncias, que

retornam, depois de um ciclo de vida, ao estado latente de sua condição primária.

É

a sombra luminosa, mas incorpórea, da matéria que foi; o reino do negativo, onde,

durante o período de repouso, permanecem latentes as Forças ativas do Universo.

Por falar em Elementos, hoje se reprocha aos antigos o haverem "suposto

que os elementos eram simples e indecomponíveis". As sombras de nossos

antepassados pré-históricos poderiam devolver a censura aos nossos físicos

modernos, agora que as novas descobertas da química levaram o Dr. Crookes,

F.R.S., a admitir que a Ciência ainda se encontra a mil léguas de conhecer a

natureza complexa da molécula mais simples.

Por ele sabemos que a molécula

realmente simples e por completo homogênea é terra incógnita para a química.

"Onde podemos traçar a linha?" — pergunta.

"Não há meio algum de sair desta

perplexidade? Será preciso que os exames elementares sejam de tal modo severos

que só permitam a aprovação de 60 a 70 candidatos, ou devemos, ao revés, abrir as

portas a fim de que o número de admissões fique limitado tão-somente pelo número

de pretendentes?"   E então o sábio químico, citando exemplos surpreendentes,

declara:

"Vejamos o caso do ítrio.

Possui um peso atômico

definido e apresenta todas as características de um corpo

simples, parecendo um elemento ao qual poderíamos, é

verdade, acrescentar alguma coisa, mas do qual nada

poderíamos tirar.

Não obstante, o ítrio, este elemento suposto

tão homogêneo, quando submetido a determinado processo de

fracionamento,    resolve-se       em   partes      que   não   são

absolutamente idênticas entre si e que mostram uma

graduação em suas propriedades.

Vejamos também o caso do

didímio.

Era um corpo que apresentava, igualmente, todas as

características reconhecidas de um elemento.

Com muita

dificuldade conseguiu-se separá-lo de outros corpos que o

semelham em muitos aspectos, e durante essa operação

passou pelos mais severos tratamentos e foi objeto de exames

os   mais    rigorosos.

Surgiu    então   outro    químico    que,

submetendo esse pretenso corpo homogêneo a um processo

especial de fracionamento, o decompôs em dois corpos, o

praseodímio e o neodímio, entre os quais são perceptíveis

certas diferenças.

Demais, não temos ainda a certeza de que o

praseodímio e o neodímio sejam corpos simples.

Pelo

contrário, também mostram tendências de fracionamento.

Ora,

se o que se supõe ser um elemento dá origem, quando

submetido a certo tratamento, a moléculas dessemelhantes,

temos o direito de indagar se resultados idênticos não seriam

obtidos com outros elementos, talvez com todos, uma vez

tratados convenientemente.

Podemos igualmente perguntar em

que ponto seria preciso deter o processo de classificação,

processo que, está visto, pressupõe variações entre as

moléculas individuais de cada espécie.

E nestas sucessivas

separações deparamos, como é natural, corpos que se

aproximam cada vez mais uns dos outros366."

Repetimos: não se justifica a censura irrogada aos antigos.

Os filósofos

iniciados da antigüidade, pelo menos, não devem ficar sob aquela increpação: foram

eles que, desde o começo, inventaram as alegorias e os mitos religiosos.

Se

ignorassem a heterogeneidade dos Elementos, não teriam criado personificações do

Fogo, da Água, do Ar, da Terra e do            Æther; os seus deuses e deusas cósmicos não teriam sido favorecidos com a posteridade composta de tantos filhos e filhas,

que não representam senão outros elementos oriundos de cada um dos Elementos

respectivos.

A alquimia e os fenômenos ocultos teriam sido uma ilusão e um logro,

mesmo em teoria, se os antigos ignorassem as potencialidades, as funções

correlativas e os atributos de cada elemento que entra na composição do Ar, da

Água, da Terra e também do Fogo.

Este último, ainda hoje, é terra incógnita para a

ciência moderna, que se vê forçada a dar-lhe nomes como movimento, evolução da

luz e do calor, estado de ignição etc.; em uma palavra, a defini-lo por seus aspectos

exteriores, visto ignorar-lhe a verdadeira natureza.

Discurso presidencial perante a Sociedade Real de Química, em março de 1888.

Mas o de que a ciência moderna não parece ter-se dado conta é que, por

diferenciados que fossem aqueles simples átomos químicos — os quais a filosofia

arcaica chamada "os criadores de seus respectivos progenitores", pais, irmãos e

maridos de suas mães, sendo estas mães filhas de seus próprios filhos, como Aditi e

Daksha, por exemplo —, por diferenciados que fossem, no início, aqueles

elementos, não eram os corpos compostos que a ciência de nossos dias conhece

sob este nome.

Nem a Água, nem o Ar, nem a Terra (sinônimo dos sólidos em geral)

existiam em sua forma atual, representando os três únicos estados de matéria

reconhecidos pela ciência; porque todos eles, até mesmo o Fogo, são produções já

recombinadas pelas atmosferas de globos completamente formados, de modo que,

nos primeiros períodos da formação da Terra, eram algo de todo em todo sui

generis.

Agora, que as condições e as leis do nosso Sistema Solar se acham

plenamente desenvolvidas, e que a atmosfera de nossa terra, como as de todos os

demais globos, se tornou, por assim dizer, um cadinho próprio, ensina a Ciência

Oculta que através do espaço ocorre uma contínua troca de moléculas, ou melhor,

de átomos, que se correlacionam permutando assim, em cada planeta, os seus

combinados equivalentes.

Alguns homens de ciência, dentre os mais eminentes

físicos e químicos, começam a suspeitar esse fato, que os ocultistas conhecem

desde há séculos.

O espectroscópio apenas mostra a similaridade provável (como

evidência externa) da substância terrestre e da substância sideral; é incapaz de ir

mais longe ou de esclarecer se os átomos gravitam ou não, uns em relação aos

outros, da mesma maneira e nas mesmas condições em que se presume que o

fazem, física e quimicamente, em nosso planeta.

A escala de temperatura, do mais

alto ao mais baixo grau que se possa conceber, admite-se que é a mesma em todo o

Universo; entretanto, as suas propriedades, salvo as de dissociação e reassociação,

diferem em cada planeta; e, assim, entram os átomos em novas formas de

existência, formas que não são nem conhecidas nem sequer imaginadas pela

ciência física.

Conforme já dissemos em Five Years of Theosophy (pág.

242), a

essência da matéria cometária, por exemplo, "é inteiramente diversa das

características químicas e físicas conhecidas pelos cientistas mais ilustres de nossa

terra". E essa mesma matéria, durante sua rápida passagem através de nossa

atmosfera, experimenta certas modificações em sua natureza.

Em conseqüência, os elementos do nosso planeta, assim como os de

todos os seus irmãos do nosso Sistema Solar, diferem tanto uns dos outros, em

suas combinações, como diferem dos elementos cósmicos situados além de nossos

limites solares.

Tal coisa é ainda corroborada pelo mesmo homem de ciência, que,

no discurso já citado, se refere à declaração de Clerk Maxwell de que "os elementos

não são absolutamente homogêneos". Escreve ele:

"É difícil conceber a seleção e a eliminação de

variedades intermediárias; porque — onde essas moléculas

eliminadas terão ido parar, se, como temos razões para crer, o

hidrogênio etc., das estrelas fixas se compõe de moléculas em

tudo idênticas às nossas?... Para começo de conversa, nós

poderíamos pôr em dúvida esta identidade molecular absoluta,

visto que até agora não dispomos de outros meios para

determiná-la senão os que nos proporciona o espectroscópio;

e, por outro lado, admite-se que, para poder comparar e

discernir com precisão os espectros de dois corpos, é preciso

examiná-los sob idênticos estados de temperatura, de pressão

e todas as demais condições físicas.

A verdade é que temos

visto no espectro solar raios que ainda não foi possível

identificar."

Segue-se, portanto, que os elementos do nosso planeta não podem ser

tomados como estalão aferidor na comparação com os de outros mundos.

Pois cada

mundo tem o seu Fohat, que é onipresente em sua própria esfera de ação.

Existem,

porém, tantos Fohats quantos são os mundos, e cada um deles varia em poder e em

grau de manifestação.

Os Fohats individuais perfazem um Fohat universal e coletivo

— o aspecto-entidade da Não-Entidade una e absoluta, que é a Asseidade absoluta,

Sat.

Está escrito que "milhões e milhões de mundos são produzidos em cada

Manvantara". Deve haver, por isso, muitos Fohats, que nós consideramos como

Forças conscientes e inteligentes.

Isto, sem dúvida, a malgrado das mentalidades

científicas.

Não obstante, os ocultistas, que têm boas razões para tal, consideram

como verdadeiros estados da Matéria, ainda que supra-sensíveis, todas as forças da

Natureza; e como objetos suscetíveis de percepção para os seres dotados dos

sentidos adequados.

Encerrado no Seio da Eterna Mãe, em seu estado prístino e virginal, todo

átomo nascido além dos umbrais do seu reino está votado a uma incessante

diferenciação.

"A Mãe dorme, mas está sempre respirando." E a cada expiração

envia ao plano de manifestação os seus produtos protéicos, os quais, arrastados

pela onda da correnteza, são disseminados por Fohat e conduzidos para esta ou

aquela atmosfera planetária ou para o espaço além.

Uma vez apreendido por uma

dessas atmosferas, o átomo se perde, desaparecendo sua pureza original de

maneira definitiva, a não ser que o acaso o dissocie daquela, levando-o a uma

"corrente de efluxo" (termo ocultista que significa um processo inteiramente diverso

daquele que a expressão implica ordinariamente), quando ele pode ser novamente

arrastado à fronteira em que antes havia sucumbido, e tomar o rumo, não do Espaço

de cima, mas do Espaço interior, sendo posto em um estado de equilíbrio diferencial

e felizmente reabsorvido.

Se um ocultista-alquimista, verdadeiramente sábio, se

dispusesse a escrever "a Vida e as Aventuras de um Átomo", expor-se-ia ao

supremo desprezo do químico moderno, mas, quem sabe? Talvez viesse a granjear

mais tarde a sua gratidão.

Efetivamente, se por acaso sucedesse que este químico

imaginário, tocado pela   intuição, se decidisse a fugir por um momento à rotina

convencional da "ciência exata", à semelhança dos antigos alquimistas, é bem

possível que a sua audácia fosse recompensada.

Seja como for: "O Sopro do Pai-

Mãe sai frio e radiante, torna-se quente e corrompido, e depois esfria novamente,

purificando-se no eterno seio do Espaço interno" — diz o Comentário.

O Homem

absorve ar puro e fresco no alto da montanha, e o expira quente, impuro e

transformado.

Da mesma forma, representando a atmosfera superior a boca de cada

globo, e a inferior os seus pulmões, o homem do nosso planeta não respira senão as

impurezas da "Mãe"; e por isso "está condenado a morrer nele". Aquele que

pudesse transformar o indolente oxigênio em ozônio com certo grau de atividade

alquímica, reduzindo-o à sua essência pura (e há meios para fazê-lo), teria assim

descoberto um sucedâneo do "Elixir da Vida" e poderia prepará-lo para usos

práticos.

(b) O processo especificado pelas palavras "Pequenas Rodas... uma

dando nascimento a outra" ocorre na sexta região a contar de cima e no mais

material dos planos do mundo, dentre todos os do Cosmos manifestado — o nosso

plano terrestre.

As "Sete Rodas" são a nossa Cadeia Planetária.

Como "Rodas" se

entendem geralmente as várias esferas e centros de força; mas no presente caso se

referem ao nosso Anel setenário.

4. Ele as constrói à semelhança das Rodas mais antigas367,

colocando-as nos Centros Imperecíveis (a). Como as constrói Fohat? Ele junta

a Poeira de Fogo.

Forma Esferas de Fogo, corre através delas e em seu

derredor, insuflando-lhes a vida; e em seguida as põe em movimento: umas

nesta direção, outras naquela.

Elas estão frias, ele as aquece.

Estão secas, ele

as umedece.

Brilham, ele as ventila e refresca (b). Assim procede Fohat, de um

a outro Crepúsculo, durante Sete Eternidades368.

(a) Os Mundos são construídos "à semelhança das Rodas mais antigas",

isto é, das que existiram nos Manvantaras precedentes e entraram em Pralaya; pois

a Lei que rege o nascimento, o crescimento e a morte de tudo o que há no Cosmos,

desde o Sol até o vagalume que voa sobre a relva, é Una.

Há um incessante

trabalho de perfeição em cada coisa nova que surge; mas a Substância-Matéria e as

Forças são sempre as mesmas.

E essa Lei opera em cada planeta por meio de

várias leis menores.

Os "Centros (Laya) Imperecíveis" têm grande importância, e é preciso que

a sua significação seja bem compreendida, se queremos possuir um conceito claro

da cosmogonia arcaica, cujas teorias são hoje apresentadas pelo Ocultismo.

Neste

momento, uma coisa pode afirmar-se: os Mundos não são construídos nem sobre os

Mundos.

Um período de 311.040.000.000.000 anos, segundo os cálculos bramânicos.

Centros Laya, nem por cima, nem dentro deles, pois o ponto zero é uma condição e

não um ponto matemático.

(b) Tenha-se presente que Fohat, a Força construtora da Eletricidade

Cósmica, conforme se diz metaforicamente, brotou — como Rudra da cabeça de

Brahmâ — "do Cérebro do Pai e do Seio da Mãe", e depois se metamorfoseou em

macho e fêmea, ou seja: polarizou-se em eletricidade positiva e negativa.

Ele tem

Sete Filhos, que são seus Irmãos.

Fohat vê-se obrigado a nascer mais de uma vez:

sempre que dois de seus "Filhos-Irmãos" se deixam aproximar demasiado um do

outro, quer seja para se abraçarem, quer para se combaterem.

Para evitá-lo, ele une

e consocia aqueles cujas naturezas são opostas, e separa os de temperamentos

semelhantes.

Como é fácil perceber, isto se refere à eletricidade gerada pela fricção,

e à lei de atração entre dois objetos de polaridade contrária, e de repulsão entre os

de polaridade idêntica.

Os Sete "Filhos-Irmãos", no entanto, representam e personificam as sete

formas de magnetismo cósmico denominadas em Ocultismo prático os "Sete

Radicais", e cujos resultados cooperativos e ativos são, entre outras energias, a

Eletricidade, o Magnetismo, o Som, a Luz, o Calor, a Coesão etc.

A Ciência Oculta

os define como efeitos supra-sensíveis em seu aspecto oculto, e como fenômenos

objetivos no mundo dos sentidos; os primeiros requerem faculdades anormais para

que possam ser percebidos; os últimos são cognoscíveis pelos nossos sentidos

físicos ordinários.

Todos eles são emanações de qualidades espirituais ainda mais

supra-sensíveis, não personificadas, mas pertencentes a Causas reais e

conscientes.

Tentar uma descrição de tais Entidades seria mais do que inútil.

Deve o leitor atentar em que, segundo os nossos ensinamentos, que

consideram este Universo fenomenal como uma grande Ilusão, quanto mais próximo

um corpo se encontre da Substância Desconhecida, tanto mais ele se acerca da

Realidade, por estar mais distanciado deste mundo de Mâyâ.

Conseqüentemente,

embora a constituição molecular de tais corpos não possa ser deduzida de suas

manifestações neste plano de consciência, possuem eles, do ponto de vista do

Adepto ocultista, uma estrutura nitidamente objetiva, se não material, no Universo

relativamente numénico, oposto ao fenomenal ou externo.

Podem os homens de

ciência, se lhes aprouver, chamá-los força ou forças geradas pela matéria, ou ainda

"modos de movimento" da matéria; o Ocultismo vê nesses efeitos os "Elementais"

(forças), e, nas causas diretas que os produzem, Obreiros Divinos e inteligentes.

A

conexão íntima dos Elementais, guiados pela mão infalível dos Regentes — a

correlação, poderíamos dizer —, com os elementos da Matéria pura manifesta-se

como fenômenos terrestres, tais como a luz, o calor, o magnetismo, etc.

É verdade

que nunca estaremos de acordo com os substancialistas americanos369, para quem

toda força ou energia, seja luz, calor, eletricidade ou coesão, é uma "entidade": seria

o mesmo que dizer que o ruído produzido pelo rodar de uma carruagem é uma

entidade — confundindo e identificando assim o "ruído" com o "condutor" que está

fora ou como o Dono, a "Inteligência Diretora", que se acha dentro do veículo.

Mas

damos, certamente, aquele nome aos "condutores" e às "Inteligências diretoras", os

Dhyân Chohans regentes, como já dissemos.

Os Elementais, as Forças da Natureza, são as causas secundárias que

atuam invisíveis, ou melhor, imperceptíveis; e que, por sua vez, são os efeitos de

causas primárias, por trás do Véu de todo fenômeno terrestre.

A eletricidade, a luz, o

Veja-se Scientific Arena, revista mensal dedicada aos ensinamentos filosóficos do dia e à sua influência sobre o pensamento religioso.

Nova Iorque, A. Wilford Hall, Ph. D., LL. D., editor (julho, agosto e setembro de 1886).

calor, etc., foram com razão chamados os "Espectros ou Sombras da Matéria em

Movimento", ou seja, dos estados supra-sensíveis da matéria, de que só podemos

perceber os efeitos.

Para ampliar o conceito, voltemos à comparação anterior.

A sensação da

luz é, como o ruído das rodas em movimento, um efeito puramente fenomenal e sem

realidade alguma fora do observador.

A causa imediata que provoca a sensação é

comparável ao condutor — um estado supra-sensível da matéria em movimento,

uma força da Natureza ou um Elemental.

Mas, por trás deste — do mesmo modo

que do interior da carruagem o seu proprietário dirige o condutor — se encontra a

causa mais elevada e numênica: a Inteligência, cuja essência irradia aqueles

estados da "Mãe", que geram os incontáveis milhares de milhões de Elementais ou

Espíritos psíquicos da Natureza, assim como cada gota de água gera seus infusórios

físicos infinitesimais370.

É Fohat quem guia a transferência dos princípios de um a outro planeta,

de um astro ao seu astro-filho.

Quando um planeta morre, seus princípios essenciais

são transferidos a um centro Laya ou de repouso, cuja energia potencial, latente até

então, desperta para a vida, principiando a desenvolver-se em um novo corpo

sideral.

É curioso observar que os físicos, apesar de confessarem honestamente

sua completa ignorância a respeito da verdadeira natureza da própria matéria

terrestre (sendo a matéria primordial considerada mais como um sonho do que como

uma realidade), se constituam, nada obstante, em juízes no tocante àquela matéria,

decidindo o que ela pode ou não pode fazer em suas combinações várias.

Os

cientistas conhecem da matéria apenas a epiderme, mas isto não impede que

Veja-se o Vol.

II, Parte III, Seção XIV, "Deuses, Mônadas e Átomos".

dogmatizem.

É um "modo de movimento" e nada mais! Mas a "força" inerente ao

sopro de uma pessoa, ao expulsar da superfície de uma mesa um grão de poeira, é

também, não há como- negar, um "modo de movimento"; e é igualmente inegável

que não significa uma qualidade da matéria ou das moléculas do grão de poeira,

senão que emana da Entidade viva e pensante que soprou, fosse o impulso

consciente ou inconsciente.

Em verdade, atribuir à matéria — este algo a respeito do qual tão pouco

se sabe até agora — uma qualidade inerente chamada Força, cuja natureza é ainda

menos conhecida, vale por criar uma dificuldade muito mais séria que a de aceitar a

intervenção de nossos "Espíritos da Natureza" em todos os fenômenos naturais.

Os Ocultistas — que, exprimindo-se corretamente, não diriam que a

matéria é indestrutível e eterna, mas tão-somente a substância ou essência da

matéria (isto é, Mûlaprakriti, a Raiz de tudo) — afirmam que todas ás chamadas

Forças da Natureza: a eletricidade, o magnetismo, a luz, o calor etc., longe de serem

modos de movimento de partículas materiais, são in esse, ou seja, em sua

constituição última, os aspectos diferenciados daquele Movimento Universal que foi

examinado e discutido nas primeiras páginas deste volume.

Quando se diz que Fohat produz "Sete Centros Laya", isto quer dizer que,

para propósitos formativos ou criadores, a Grande Lei (os teístas podem chamá-la

Deus) detém, ou antes, modifica o seu movimento perpétuo sobre sete pontos

invisíveis dentro da área do Universo Manifestado.

"O Grande Sopro cava, através

do Espaço, sete buracos em Laya, para fazê-los girar durante o Manvantara" — diz

o Catecismo Oculto.

Já dissemos que Laya é o que a Ciência poderia chamar o

ponto ou a linha zero; o reino do negativo absoluto, ou a única Força absoluta

verdadeira, o Número do Sétimo Estado daquilo que, em nossa ignorância,

designamos e reconhecemos como "Força"; ou ainda o número da Substância

Cósmica Não-Diferenciada, que, em si, é um objeto inacessível e incognoscível para

a percepção finita; a raiz e a base de todos os estados de objetividade e também de

subjetividade; o eixo neutro, não um dos muitos aspectos, mas o seu centro.

Com o fito de elucidar a significação do que precede, tentemos imaginar

um "centro neutro" — o sonho daqueles que buscam descobrir o movimento

perpétuo.

Um "centro neutro" é, sob certo aspecto, o ponto limite de um grupo

qualquer de sentidos.

Figuremos, por exemplo, dois planos consecutivos de matéria,

correspondendo cada qual a um grupo apropriado de órgãos de percepção.

Vemo-

nos obrigados a admitir que entre estes dois planos de matéria se processa uma

incessante circulação; e se acompanharmos os átomos e as moléculas do plano

inferior, por exemplo, em suas transformações ascendentes, chegarão estas a um

ponto além do qual ficarão inteiramente fora do alcance da ordem de faculdades de

que dispomos no plano inferior.

Para nós, efetivamente, a matéria do plano superior

ali se desvanece ante a nossa percepção; mais propriamente, passa ao plano

superior, e o estado de matéria que corresponde a semelhante ponto de transição

deve por certo possuir propriedades especiais, não fáceis de descobrir.

Sete destes

"Centros Neutros371" são, portanto, produzidos por Fohat; e tão logo, na expressão

de Milton,

Perfeitas fundações são assentadas

Para nelas erguer-se a construção...

Fohat incita a matéria à atividade e à evolução.

Tal é, segundo cremos, o nome dado pelo Sr. J. W. Keely, de Filadélfia, inventor do famoso "Motor", aos por ele também chamados "Centros Etéricos"; motor que, conforme esperavam seus admiradores, iria revolucionar a força motriz do mundo.

O Átomo Primordial (Anu) não pode ser multiplicado, nem em seu estado

pré-genético nem no primogenético; e por isso é chamado a "Soma Total", em

sentido figurado, está claro, pois esta "Soma Total" carece de limites.

O que para o

físico, que só conhece o mundo de causas e efeitos visíveis, é o abismo do nada,

para o ocultista é o Espaço sem limites do Plenum Divino.

Entre muitas outras objeções à doutrina da evolução e involução

perpétuas, ou reabsorção, do Cosmos — processo que, segundo a doutrina

bramânica esotérica, não tem começo nem fim — argumenta-se que tal não pode

ser, porquanto, "segundo todos os princípios da filosofia científica moderna, esgotar-

se é uma necessidade imperiosa para a Natureza". Se a tendência da Natureza para

esgotar-se constitui realmente uma forte objeção à cosmogonia oculta, é o caso de

perguntarmos: como explicam os vossos positivistas, livres pensadores e homens de

ciência a massa de sistemas siderais em atividade que nos rodeia? Eles tiveram a

eternidade para se "esgotarem"; por que então o Cosmos já se não converteu numa

imensa massa inerte? Supõe-se que a Lua é um astro morto, esgotado, mas isto não

passa de uma hipótese; e não parece que a astronomia conheça muita coisa a

respeito de astros mortos372. A pergunta não encontra resposta.

Mas, deixando-a de

lado, importa observar que a idéia do esgotamento da "energia transformável", em

nosso pequeno sistema, se baseia única e exclusivamente no enganoso conceito de

um "sol incandescente ao vermelho-branco", que irradia incessantemente o seu

calor pelo espaço, sem receber compensação.

A isto respondemos que a Natureza

entra em declínio e desaparece do plano objetivo tão-somente para de novo surgir

do plano subjetivo, após um período de repouso, e subir ainda mais alto.

O nosso

A Lua está morta apenas no que respeita aos seus "princípios" internos — isto é, psiquicamente e espiritualmente, por absurda que pareça esta afirmativa.

Fisicamente, assemelha-se a um corpo paralisado pela metade.

A ela faz referência o Ocultismo (e com razão) como a "Mãe Insana", a grande lunática sideral.

Cosmos e a nossa Natureza não se esgotarão senão para reaparecer num plano

mais perfeito, depois de cada Pralaya.

A Matéria dos filósofos orientais não é a "matéria" e a Natureza dos

metafísicos ocidentais.

Pois, que é a Matéria? E, sobretudo, que é a nossa filosofia

científica, senão aquilo que tão precisa e cortesmente Kant definiu como "a ciência

dos limites de nosso conhecimento"? Qual o resultado das inúmeras tentativas da

Ciência para enlaçar, unir e definir todos os fenômenos da vida orgânica, por meio

de manifestações puramente físicas e químicas? Simples especulações em geral,

meras bolhas de sabão que se desvanecem uma após outra, antes que os homens

de ciência possam descobrir fatos reais.

Para evitar tudo isso, alcançando o

conhecimento muito maior progresso, bastaria que a Ciência e a sua filosofia se

abstivessem de aceitar hipóteses baseadas em hipóteses tão limitadas e

incompletas a respeito da sua "matéria". O caso de Urano e Netuno — cujos

satélites, em número de quatro e um respectivamente, se acreditava que girassem

em suas órbitas de Oriente para Ocidente, enquanto todos os outros satélites giram

de Ocidente a Oriente — é um exemplo bem ilustrativo da pouca confiança que

devem inspirar todas as especulações a priori, ainda quando apoiadas em cálculos

matemáticos os mais exatos.

A famosa hipótese da formação do nosso Sistema Solar por meio de

anéis nebulares, apresentada por Kant e Laplace, fundamentava-se principalmente

no pressuposto de que todos os planetas giram num mesmo sentido.

E foi neste

fato, matematicamente demonstrado no tempo de Laplace, que o grande astrônomo

se apoiou, calculando de acordo com a teoria das probabilidades, para apostar três

milhões contra um em que o próximo planeta a ser descoberto teria em seu sistema

a mesma peculiaridade de movimento para o Este.

As leis imutáveis das

matemáticas científicas "foram derrotadas pelas experiências e observações

posteriores". Esta idéia do erro de Laplace prevalece ainda em nossos dias; mas

alguns astrônomas conseguiram finalmente demonstrar (?) que o erro consistiria em

admitir-se que Laplace havia cometido um engano, e agora se fazem tentativas para

corrigir o lapso, sem chamar muito a atenção.

Mais de uma surpresa desagradável desse gênero aguarda as hipóteses

dos nossos sábios, mesmo aquelas de caráter puramente científico.

E quantas

outras desilusões não será lícito esperar nas questões que tangem à natureza oculta

e transcendente das coisas? Como quer que seja, o Ocultismo ensina que o

chamado "movimento retrógrado" é um fato.

Se nenhuma inteligência do plano físico é capaz de contar os grãos de

areia que cobrem alguns quilômetros de praia, nem de penetrar a natureza íntima e

a essência de coisas assim tão concretas, que são palpáveis e visíveis na mão do

naturalista, como pode um materialista limitar as leis que governam as mudanças de

estado e de existência dos átomos no Caos primordial? Como pode saber algo de

seguro a respeito das capacidades e das potências dos átomos e moléculas, antes e

depois de entrarem na formação dos mundos? Estas moléculas imutáveis e eternas

(muito mais numerosas no espaço que os grãos de areia nas praias do oceano)

podem diferir em sua constituição conforme os limites de seus planos de existência,

como a substância da alma difere de seu veículo, o corpo.

Sabemos que cada átomo tem sete planos de ser ou de existência; e que

cada plano está regido por suas leis específicas de evolução e de absorção.

Os

astrônomos, geólogos e físicos, ao pretenderem decidir da idade do Sistema Solar,

sem que possuam uma data sequer aproximada para marcar-lhes o ponto de

partida, distanciam-se cada vez mais, em cada nova hipótese, das fronteiras da

realidade, e perdem-se nos abismos insondáveis da ontologia especulativa373.

A Lei de Analogia, no plano de estrutura dos sistemas transolares e dos

planetas intra-solares, não se aplica necessariamente às condições finitas a que

estão sujeitos os corpos físicos neste nosso plano de existência.

Na Ciência Oculta,

esta Lei de Analogia é a primeira e a mais importante das chaves para a física do

Cosmos; faz-se necessário, porém, estudá-la em todas as suas minúcias, e "dar

sete voltas à chave" antes que seja possível compreendê-la. A Filosofia Oculta é a

única ciência capaz de ensiná-la.

Isso, posto, como pode alguém contestar a proposição dos Ocultistas de

que "o Cosmos é eterno em sua coletividade não condicionada, e finito somente em

suas manifestações condicionadas", apoiando-se na observação física unilateral de

que "a Natureza tem necessidade de esgotar-se374"?

UMA DIGRESSÃO

Com o quarto Sloka termina a parte das Estâncias que se refere à

Cosmogonia do Universo após o último Mahâpralaya ou Dissolução Universal —

aquela dissociação geral que, soada a hora, arrebata do Espaço, quais folhas secas,

todas as coisas diferenciadas, dos Deuses aos átomos.

A partir daquele versículo, as Estâncias só se ocupam, em geral, do

nosso Sistema Solar e das Cadeias Planetárias que lhe dizem respeito, e, em

Depositando os ocultistas a mais completa confiança na exatidão dos seus anais astronômicos e matemáticos, calculam a idade da humanidade e afirmam que o homem (com sexos separados) existe na presente Ronda precisamente desde a 18.618.727 anos, de acordo com os ensinamentos bramânicos e também com alguns calendários hindus.

A continuação do comentário à Estância VI se encontra mais adiante.

particular, da história do nosso Globo (o quarto) e de sua Cadeia.

Todos os

versículos que se seguem neste volume tratam unicamente da evolução de nossa

Terra ou que nela tem curso.

Há, com relação a esta última, uma proposição

estranha — estranha apenas do ponto de vista científico moderno, entenda-se —

que devemos dar a conhecer.

Antes,    porém,     de    apresentar     ao    leitor   teorias   novas    e    algo

surpreendentes, é preciso dizer algumas palavras à guisa de explicação.

É

imperioso fazê-lo, porque tais teorias não somente se acham em oposição ao que

ensina a ciência de hoje, mas também contradizem em certos pontos afirmações

anteriores de outros teósofos, que declaram baseadas as suas informações na

mesma autoridade que nós invocamos375.

Isso pode dar a impressão de que existe uma contradição formal entre os

expositores da mesma doutrina, quando na realidade a divergência se deve a que

estavam incompletos os dados recebidos pelos escritores precedentes, o que os

levou a deduzir conclusões errôneas e a fazer especulações prematuras, no afã de

darem ao público um sistema completo.

Assim, o leitor que já esteja iniciado em

Teosofia não se deve surpreender de encontrar nestas páginas a retificação de

alguns ensinamentos contidos em várias obras teosóficas, e também o

esclarecimento de certos pontos que ficaram obscuros, por estarem certamente

incompletos.

Muitas foram as questões em que nem sequer tocou o autor de

Esoteric Buddhism, a melhor e a mais esmerada de todas as obras do gênero.

Por

outra parte, ele próprio introduziu várias noções errôneas, que agora urge

apresentar sob a verdadeira luz mística, quanto seja capaz de fazê-lo quem escreve

as presentes linhas.

Em Esoteric Buddhism, 1883, por A. P. Sinnett, e em Man, Fragments of Forgotten History, por Dois Chelas, 1885.

Permitam-nos, pois, uma breve interrupção entre os Slokas que

acabamos de comentar e os que vêm depois — já que são de imensa duração os

períodos cósmicos que os separam.

Com isso teremos suficiente tempo para uma

vista panorâmica sobre alguns aspectos da Doutrina Secreta que foram expostos ao

público sob uma luz mais ou menos incerta e por vezes errônea.

ALGUNS CONCEITOS TEOSÓFICOS PRIMITIVOS ERRÔNEOS        REFERENTES AOS PLANETAS, ÀS RONDAS E AO HOMEM

Entre as onze Estâncias omitidas, há uma que dá ampla descrição da

formação sucessiva das Cadeias Planetárias, depois de haver começado a primeira

diferenciação cósmica e atômica do Acosmismo primitivo.

É inútil falar de "leis

instituídas quando a Divindade se prepara para criar"; porque as "leis", ou melhor, a

Lei é eterna e incriada; e, além disso, a Divindade é a Lei, e vice-versa.

Por outro

lado, a eterna Lei una desenvolve todas as coisas, na Natureza que há de

manifestar-se, sobre a base de um princípio sétuplo; e este princípio rege as

inumeráveis Cadeias circulares de Mundos, compostas de sete Globos graduados

nos quatro planos inferiores do Mundo de Formação (os outros três pertencem ao

Universo Arquétipo). Destes sete Globos, um somente, o inferior e o mais material

de todos, se acha no nosso plano ou ao alcance dos nossos meios de percepção; os

outros seis estão fora deste plano, sendo portanto invisíveis ao olho terrestre.

Cada

uma das Cadeias de Mundos é o produto e a criação de outra, inferior e morta: é a

sua reencarnação, digamos assim.

Mais claramente:

Segundo os ensinamentos, cada um dos planetas — dos quais se diz que

apenas sete são sagrados, por serem regidos pelos Deuses ou Regentes mais

elevados (e não porque nada soubessem os antigos a respeito dos outros)376 —

cada um dos planetas, dizíamos, conhecido ou não conhecido, é setenário, como o

é também a Cadeia a que pertence a Terra377. Por exemplo, todos os planetas,

Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno etc., e a nossa Terra, são visíveis para nós

(como o nosso Globo provavelmente o é para os habitantes daqueles, se os há)

porque se acham todos no mesmo plano; ao passo que os globos superiores e

companheiros de tais planetas estão em planos inteiramente inacessíveis aos

nossos sentidos terrestres.

Como as suas posições relativas serão indicadas mais

adiante, inclusive no diagrama que acompanha os comentários à Estância VI, não se

faz mister acrescentar aqui senão algumas palavras de explicação.

Os

companheiros             invisíveis       correspondem         de   maneira   bem   singular   ao   que

denominamos "os sete princípios do Homem". Os sete estão em três planos

materiais e um espiritual, correspondendo aos três Upâdhis (bases materiais) e a um

veículo espiritual (Vâhana) dos sete princípios da divisão humana.

Se, para podermos formar uma concepção mais clara, imaginarmos os

princípios humanos dispostos em um esquema, obteremos o seguinte diagrama de

correspondências:

Figura 1: DIAGRAMA I

PRINCÍPIOS HUMANOS                                     DIVISÕES PLANETÁRIAS

(1)                                               Espírito

(2)       Alma Upâdhi            do Espírito      Nos Livros Secretos são mencionados muito mais planetas que nas obras astronômicas modernas.

Veja-se Esoteric Buddhism.

(3)                                        Mente

Descida da Matéria

Ascensão para o Espírito        (4)    Alma animal  Upâdhi da mente

(5)                                         Vida

(6)  Corpo Astral Upâdhi da Vida

(7)                                                                     Nossa Terra ou Corpo Físico Upâdhi                                                                    qualquer Planeta     de todos os                                                                         visível      princípios

Como o nosso método é proceder dos Universais para os Particulares, em

vez de seguir o processo indutivo de Aristóteles, os números estão ordenados em

sentido inverso.

O Espírito vem em primeiro lugar — e não no sétimo, como se

procede usualmente, mas como, em verdade, não se deveria fazer.

Os Princípios Humanos, tais como enumerados no Esoteric Buddhism e

em outros são: 1º Âtmâ; 2º Buddhi (Alma Espiritual); 3º Manas (Alma Humana); 4º

Kâma Rûpa (Veículo dos Desejos e Paixões); 5º Prâna; 6º Linga Sharira; 7º Sthûla

Sharira.

As linhas negras horizontais378 dos Globos inferiores são os Upâdhis, no

caso dos Princípios humanos, e os planos no caso da Cadeia Planetária.

Quanto

Troquei as “linhas negras” por cores, que escurecem de um estágio para outro como acontecia com as linhas.

Nada mais foi alterado.

(Sandra)

aos Princípios humanos, conforme se vê, o quadro não os apresenta exatamente em

ordem; mostra, porém, a correspondência e a analogia, para as quais desejamos

chamar a atenção do leitor.

Verá este que se trata da descida do Espírito na matéria,

do ajustamento dos dois (tanto no sentido místico como no físico) e de sua

conjunção para a grande "luta pela existência" que aguarda ambas as Entidades.

Parecerá talvez estranho o emprego da expressão "Entidade" com referência a um

Globo; mas os filósofos antigos, que viam na Terra um enorme "animal", eram mais

sábios no seu tempo do que os modernos geólogos em nossos dias; e Plínio, que

chamava a Terra nossa boa Mãe e nutriz, e o único elemento que não é inimigo do

homem, falava com mais veracidade do que Watts, que imaginava ver nela o

escabelo de Deus.

Pois a Terra não é senão o escabelo do homem em sua

ascensão para as regiões superiores, o vestíbulo

...das gloriosas mansões

para onde acorre sem cessar agitada multidão.

Mas isto serve apenas para mostrar quão admiravelmente a Filosofia

Oculta esclarece e ordena todas as coisas da Natureza, e como os seus princípios

são mais lógicos do que as especulações hipotéticas e sem vida da ciência física.

Aprendendo tudo isso, o místico ficará mais bem preparado para assimilar

o ensinamento oculto, não importando que os seguidores da ciência moderna

possam (e tudo indica que o farão) considerá-lo absurdo e sem sentido.

O ocultista

sustenta que a teoria ora exposta é muito mais filosófica e provável que outra

qualquer.

É mais lógica, em todo caso, que a teoria recentemente aventada de que a

Lua é um fragmento projetado da Terra, quando esta era um globo em estado de

fusão.

Diz Samuel Laing, autor de Modern Science and Modern Thought:

"As conclusões astronômicas são teorias baseadas

em dados de tal modo incertos que, enquanto em alguns casos

oferecem cifras incrivelmente reduzidas, como a de 15 milhões

de anos para todo o processo de formação do sistema solar,

em outros chegam a resultados de uma extensão de tempo

quase inimaginável, quando, por exemplo, supõem que a Lua

foi projetada da Terra em época na qual o período de rotação

desta última era de três horas, ao passo que o máximo

retardamento observado exigiria 600 milhões de anos para

fazê-la girar em vinte e três horas em lugar de vinte e

quatro379."

E se os físicos insistem em especulações desse jaez, por que zombar da

cronologia dos hindus, tachando-a de exagerada?

Diz-se ainda que as Cadeias Planetárias têm os seus Dias e as suas

Noites, isto é, períodos de atividade ou vida e períodos de inércia ou morte; e que se

comportam no céu como os homens na terra; que engendram Cadeias semelhantes,

envelhecem e se extinguem fisicamente, sobrevindo na progênie os seus princípios

espirituais.

Op. cit., pág.

48.

Sem nos abalançarmos à tarefa sobremodo difícil de explicar o processo

em todas as suas minúcias cósmicas, podemos dizer o suficiente para que se tenha

uma idéia aproximada a esse respeito.

Quando uma Cadeia Planetária se encontra em sua última Ronda, o seu

Globo A, antes de extinguir-se por completo, envia toda a sua energia e todos os

seus princípios a um centro neutro de força latente, um centro "laya", assim

animando e chamando à vida um novo núcleo de substância ou matéria não

diferenciada.

Suponhamos que uma evolução semelhante houvesse ocorrido na

Cadeia Lunar Planetária; suponhamos ainda, para argumentar, que a Lua seja muito

mais velha que a Terra (apesar de a teoria de Darwin, que citaremos mais adiante,

ter sido recentemente abandonada, e de não se achar o fato ainda determinado pelo

cálculo matemático). Imaginemos os seis Globos companheiros da Lua — em

períodos anteriores à evolução do primeiro Globo de nossa Cadeia setenária —

ocupando, uns em relação aos outros, as mesmas posições que ocupam atualmente

os Globos companheiros da Terra em nossa Cadeia Planetária380. Será então fácil

imaginar o Globo A da Cadeia Lunar dando vida ao Globo A da Cadeia Terrestre, e

morrendo depois; em seguida, o Globo B da primeira transmitindo sua energia ao

Globo B da nova Cadeia; depois, o Globo C da Cadeia Lunar criando o seu

descendente, a esfera C da Cadeia Terrestre; e, finalmente, a Lua (nosso satélite)

enviando toda a sua vida, energia e poderes ao Globo mais baixo de nossa Cadeia

Planetária, o Globo D, nossa Terra — vertendo-os, assim, em um novo centro e

tornando-se virtualmente um planeta morto, no qual a rotação quase que cessou,

após o nascimento do nosso Globo.

A Lua é, sem dúvida, o satélite da Terra; mas

isto não invalida a teoria de que ela deu tudo à Terra, exceto o seu cadáver.

Veja-se, em Esoteric Buddhism, "A Constituição do Homem" e "a Cadeia Planetária".

Para que a teoria de Darwin subsistisse, houve mister de rebuscar, além

da hipótese de que falamos, hoje relegada, outras especulações ainda mais

abstrusas.

Diz-se que a Lua esfriou seis vezes mais depressa que a Terra381. "Se a

Terra se solidificou há quatorze milhões de anos, a Lua não terá mais de onze

milhões e dois terços de um milhão de anos a partir daquela época..." etc.

E se a

nossa Lua não passa de um salpico de barro procedente da Terra, por que não tirar

uma conclusão análoga para as Luas dos outros planetas? Respondem os

astrônomos: "Não o sabemos." Por que Vênus e Mercúrio não têm satélites, e, se

tais satélites existem, como teriam sido formados? Não o sabem os astrônomos,

porque — dizemos nós — a Ciência possui apenas uma chave (a chave da matéria)

para abrir os mistérios da Natureza; ao passo que a Filosofia Oculta dispõe de sete

chaves e pode explicar o que a Ciência não consegue ver.

Mercúrio e Vênus não

têm satélites, mas tiveram "pais", exatamente como a Terra.

Ambos são muito mais

antigos que a Terra.

E, antes de que esta chegue à sua Sétima Ronda, sua mãe, a

Lua, ter-se-á dissolvido no ar sutil, como sucederá ou não, conforme o caso, com as

"Luas" dos demais planetas, pois há planetas que possuem várias Luas — mistério

ainda não decifrado por nenhum Édipo da Astronomia.

A Lua é hoje o frio resíduo, a sombra arrastada pelo corpo novo para o

qual se fez a transfusão de seus poderes e princípios de vida.

Está agora

condenada a seguir a Terra durante longos evos, atraindo-a e sendo por ela atraída.

Incessantemente vampirizada por sua filha, vinga-se impregnando-a com a

influência nefasta, invisível e venenosa que emana do lado oculto de sua natureza.

Pois é um Corpo morto, e no entanto vive.

As partículas do seu cadáver em

decomposição estão cheias de vida ativa e destruidora, embora o corpo que elas

World-Life, de Winchell.

anteriormente formavam esteja sem alma e sem vida.

Em conseqüência, suas

emanações ao mesmo tempo são benéficas e maléficas — circunstância que

encontra seu paralelo na terra, no fato de que é nas sepulturas onde as ervas e as

plantas medram e se desenvolvem com mais viço, sem embargo das exalações

morbígenas dos cadáveres nos cemitérios.

Como os fantasmas e vampiros, a Lua é

amiga dos feiticeiros e inimiga dos imprudentes.

Desde as eras arcaicas até os

tempos mais próximos, conhecidas são a sua natureza e as suas propriedades,

tanto pelas feiticeiras da Tessália e por alguns dos atuais praticantes do tantrismo na

Bengala, como por todos os Ocultistas; mas para os físicos permanecem um livro

fechado.

Tal é a Lua, considerada dos pontos de vista astronômico, geológico e

físico.

Quanto à sua natureza metafísica e psíquica, deve, nesta obra, continuar

sendo um segredo oculto, como o foi em Esoteric Buddhism, em que pese à ousada

afirmação, contida nesta última, de que "já não há muito mistério, no enigma da

oitava esfera382". É esta uma das questões "sobre as quais os Adeptos se mostram

muito reservados em suas comunicações a discípulos não iniciados"; e, já que eles

não sancionaram nem autorizaram informações públicas sobre esse ponto, é

preferível dizer o menos possível.

Contudo, sem tocar no terreno interdito da "oitava esfera", parece útil

mencionar alguns fatos          relacionados   com    as   ex-mônadas   da   Cadeia Lunar

(os      "Antepassados        Lunares"),   porque    desempenham   importante   papel   na

Antropogênese, de que nos iremos ocupar.

Isto nos leva diretamente à constituição

setenária do homem; e, como ultimamente tem havido certa discussão sobre a

melhor maneira de classificar-se a divisão da entidade microscópica, acrescentamos

Pág.

113 (5ª edição).

a seguir dois sistemas, para tornar mais fácil a comparação.

O pequeno artigo aqui

incluído se deve à pena de T. Subba Row, sábio vedantino.

Prefere ele a divisão

bramânica do Râja Yoga.

Do ponto de vista metafísico, assiste-lhe toda a razão.

Mas, por ser uma questão de simples escolha e conveniência, adotamos a

classificação trans-himalaica, consagrada pelo tempo, da "Escola Esotérica Arhat".

O quadro seguinte e o seu texto explicativo foram copiados de The Theosophist, de

Madras, e figuram também em Five Years of Theosophy383.

Quadro 1: DIVISÃO SETENÁRIA EM DIFERENTES SISTEMAS HINDUS

Eis, em forma tabular, as            classificações dos Princípios   do Homem,

adotadas pelos instrutores Budistas e Vedantinos.

BUDISMO ESOTÉRICO                           VEDANTA                   TARAKA RAJA YOGA 1. Sthûla Sharina                            Annamayakosha 2. Prâna386                                                                   Sthûlopâdhi 3. Veículo de Prâna387                         Prânamayakosha

Págs.

185-6.     Kosha é "envoltura" literalmente, a envoltura de cada princípio.

Sthûla-uphâdi ou base do princípio.

4. Kâma Rûpa                (a) Volições e              Mânomayakosha                Sukshmopâdhi 5. Mente      sentimentos etc.

(B) Vijnânam                Vijnânamaykosha 6. Alma espiritual                       Anandamayakosha                 Kâranophâdhi 7. Âtmâ                                               Âtmâ                       Âtmâ

"Vê-se por este quadro que o terceiro princípio da

classificação budista não é mencionado separadamente na

divisão vedantina, por ser simplesmente o veículo de Prâna.

Vê-se também que o quarto princípio foi incluído no terceiro

Kosha (Envoltura), porque tal princípio não é senão o veículo

do poder volitivo, o qual não passa de uma energia mental.

Cabe ainda observar que o Vijnânamayakosha é considerado

como distinto do Mânomayakosha, por isso que, após a morte,

se verifica uma divisão entre a parte inferior da mente (parte

que possui maior afinidade com o quarto princípio do que com

o sexto) e a parte superior (que está vinculada ao sexto e é a

base real da individualidade espiritual e superior do homem).

Devemos também assinalar que a classificação constante da

última coluna é a melhor e a mais simples para todas as

questões práticas relacionadas com o Râja Yoga.

Apesar de

existirem sete princípios no homem, não há senão três Upâdhis

(bases) distintos em cada um dos quais possa o Âtmâ operar

independentemente do resto.

Um Adepto pode separar os três

A Vida.

Corpo Etéreo ou Linga Sharira.

Buddhi.

Upâdhis sem o perigo de morrer, mas não pode separar os

sete princípios, sem destruir a sua constituição."

O leitor estará agora mais apto a discernir que entre os três Upâdhis do

Râja Yoga, mais o Âtmâ, e os nossos três Upâdhis, mais o Âtmâ e as três divisões

adicionais, a diferença é de pouca monta.

Além disso, como na índia, de um e outro

lado dos Himalaias, nas escolas de Patanjali, de Aryâsanga ou da Mahâyâna, todo

Adepto deve tornar-se um Râja Yogi, cumpre-lhe portanto aceitar a classificação

Taraka Râja em princípio e em teoria, sem embargo de que possa recorrer a outra

para fins práticos e ocultos.

Assim, pouco importa que se mencionem três Upâdhis

com seus três aspectos, mais o Âtmâ, a síntese eterna e imortal, ou que se fale de

"Sete Princípios".

Para esclarecimento daqueles que não leram ou compreenderam bem,

nos escritos teosóficos, a doutrina referente às Cadeias Setenárias de Mundos no

Cosmos Solar, vamos dar aqui um resumo dos ensinamentos.

1. Tudo, no Universo metafísico como no Universo físico, é setenário.

Atribuem-

se, por isso, a cada corpo sideral, a cada planeta, visível ou invisível, seis

Globos companheiros.

A evolução da vida se efetua, nestes sete Globos ou

corpos, do primeiro ao sétimo, em Sete Rondas ou Ciclos.

2. Os Globos são formados por um processo que os Ocultistas denominam

"renascimento das Cadeias Planetárias (ou Anéis)". Quando a Sétima e última

Ronda de um dos Anéis se inicia, o Globo superior ou primeiro, A (e como ele

todos os demais sucessivamente, até o último), em vez de entrar num período

mais ou menos longo de repouso, ou de "Obscurecimento", como nas Rondas

precedentes, começa a desgastar-se. A Dissolução Planetária (Pralaya)

aproxima-se: a sua hora soou, deve transferir sua vida e energia a outro

planeta389.

3. A Terra, como representante visível dos globos-companheiros, invisíveis e

superiores, seus "Senhores" ou "Princípios", deve existir, do mesmo modo

que os demais, durante sete Rondas.

Nas três primeiras, ela se forma e se

consolida; na quarta, alcança estabilidade e sua máxima consistência; nas

três últimas, retorna gradualmente à sua primeira forma etérea: espiritualiza-

se, por assim dizer.

4. Sua humanidade só se desenvolve plenamente na Quarta Ronda — que é a

nossa Ronda atual.

Até esse quarto Ciclo de Vida, dá-se-lhe tal nome de

"Humanidade" unicamente por falta de outro melhor.

Assim como a lagarta se

converte em crisálida e esta em borboleta, assim o homem, ou melhor, o que

mais tarde vem a ser o homem, passa através de todas as formas e reinos

durante a Primeira Ronda, e através de todas as formas humanas durante as

duas Rondas seguintes.

Ao chegar à Terra, no princípio da Quarta, na

presente série de Ciclos de Vida e de Raças, o Homem é a primeira forma

animada que aparece nela, pois foi precedido somente pelos reinos mineral e

vegetal, devendo ainda este último desenvolver-se e continuar sua evolução

ulterior por intermédio do homem.

É o que será explicado nos volumes III e IV.

Durante as três primeiras Rondas que hão de vir, a Humanidade, como o

Globo em que vive, tenderá sempre a reassumir sua forma primitiva: a de

uma Legião de Dhyân-Chohans.

O homem tende a converter-se em um Deus,

Veja-se o Diagrama II, pág.

346.

e depois em Deus, da mesma forma que todos os demais Átomos do

Universo.

Começando por considerar as coisas lá pela

remotíssima Segunda Ronda, vemos que a Evolução já se

processa sobre um plano inteiramente diferente.

Só na primeira

Ronda é que o Homem (celestial) se toma um ser humano no

Globo A; (volta a ser) um mineral, uma planta, um animal, no

Globo B e no C, etc.

O processo muda por completo a partir da

Segunda Ronda.

Mas aprendestes a lição da prudência... e eu

vos aconselho a não dizer nada antes de chegar o momento

oportuno para isso390...

5. Cada Ciclo de Vida no Globo D (nossa Terra)391 se compõe de sete Raças-

Raízes, que principiam com a etérea e terminam com a espiritual, em uma

dupla linha de evolução física e moral, desde o início da Ronda terrestre até o

seu termo.

Uma coisa é uma "Ronda Planetária", do Globo A até o Globo G, o

último; outra coisa é a "Ronda do Globo", isto é, a terrestre.

Tudo isso foi muito bem descrito no Esoteric Buddhism, e não necessita

de maior explicação por enquanto.

6. Os homens da primeira Raça-Raiz, ou seja, os primeiros "Homens" da Terra

(qualquer que fosse a forma de que se revestissem) eram os descendentes

Extrato de cartas do Mestre acerca de vários assuntos.

Veja-se The Mahatma Letters to A. P. Sinnett.

Só incidentemente nos ocupamos dos outros Globos nesta obra.

dos     "Homens    Celestes",   chamados   corretamente   na   filosofia   hindu

"Antepassados Lunares" ou Pitris, que se compõem de sete classes ou

Hierarquias.

Como tudo isto será melhor explicado nos próximos capítulos e

nos volumes III e IV, aqui nada mais se faz necessário acrescentar.

Mas os dois livros anteriormente citados, que versam assuntos referentes

à doutrina oculta, exigem     algumas    observações especiais.

Um deles, Esoteric

Buddhism, é bastante conhecido nos círculos teosóficos, e ainda pelo público em

geral, de modo que nos dispensamos de alongar-nos sobre os seus méritos.

É uma

obra excelente, que produziu efeitos ainda melhores.

Não quer isso dizer, porém,

que não contenha algumas idéias incorretas, dando azo a que vários leitores,

teósofos ou não, formassem conceitos errôneos a respeito das Doutrinas Secretas

orientais.

A obra dá também a impressão de algo materialista.

O outro livro, Man, Fragments of a Forgotten History ("O Homem,

Fragmentos de uma História Esquecida"), que se publicou depois, foi uma tentativa

para expor a doutrina arcaica de um ponto de vista mais ideal, assim como

interpretar algumas visões da Luz Astral e dar forma a alguns ensinamentos em

parte recolhidos dos pensamentos de um Mestre, porém infelizmente mal

compreendidos.

Esta obra se ocupa também da evolução das primitivas raças

humanas na Terra, e contém algumas páginas excelentes de cunho filosófico.

Apesar de tudo, não passa de um pequeno e interessante poema místico.

Não

alcançou o seu desiderato, por lhe faltarem as condições necessárias à correta

interpretação daquelas visões astrais.

Não se surpreenda o leitor, portanto, se estes volumes contrariarem, em

diversos pontos, as primeiras descrições a que nos estamos referindo.

A cosmogonia esotérica em geral e a evolução da Mônada em particular

diferem de modo tão essencial naqueles dois livros, e em outros publicados por

principiantes não orientados, que se torna impossível dar prosseguimento à presente

obra sem que foquemos especialmente os dois primeiros volumes de que se trata,

pois ambos contam um grande número de admiradores, notadamente o Esoteric

Buddhism.

É chegado o momento de nos explicarmos a esse respeito.

Impende

cotejar os pontos de equívoco com os ensinamentos originais, para a devida

retificação.

Se um dos dois livros foi escrito com manifesta propensão para a ciência

materialista, o outro é, por seu lado, demasiado otimista, raiando às vezes pela

fantasia.

Da doutrina (um tanto incompreensível para a mente ocidental) que se

ocupa dos Obscurecimentos periódicos e das Rondas sucessivas dos Globos ao

longo de suas Cadeias circulares, advieram as primeiras perplexidades e noções

errôneas.

Um destes conceitos se refere aos "Homens da Quinta Ronda" e até aos

da "Sexta".

Os que sabiam ser uma Ronda precedida e seguida de um longo período

de repouso, ou Pralaya, que cria um abismo intransponível entre duas Rondas até o

advento de um novo ciclo de vida, não podiam compreender o "sofisma" de falar-se

da existência de "gente da Quinta e da Sexta Ronda" em nossa Ronda atual, a

Quarta.

Afirmava-se que Gautama Buddha era um homem da "Sexta Ronda"; que

Platão e outros grandes filósofos e gênios pertenciam à "Quinta". Como podia ser

isso? Um Mestre dizia e sustentava que ainda agora existem na terra homens da

Quinta Ronda; e, embora se entendesse que ele havia ensinado encontrar-se a

humanidade "Quarta Ronda", em outra ocasião parecia dizer que estamos na

Quinta.

A isso acudiu outro Mestre com uma "resposta apocalíptica". "Algumas

gotas de chuva não fazem uma monção, se bem que a pressagiem..." "Não, nós não

estamos agora na Quinta Ronda; mas homens a ela pertencentes parece que

começaram a chegar há alguns milhares de anos." Eis uma coisa mais difícil de

resolver que o enigma da Esfinge!

Os estudantes de Ocultismo submeteram seus cérebros às mais árduas

especulações.

Durante largo tempo, esforçaram-se por sobrepujar a Édipo e

conciliar as duas afirmações.

E como os Mestres se mantinham tão silenciosos

quanto a esfinge de pedra, foram acusados de "inconseqüência", de "contradição" e

de "discrepância". Mas o que eles faziam era pura e simplesmente deixar que as

especulações seguissem o seu curso, a fim de darem uma lição de que realmente

necessita a mente ocidental.

Em sua vaidade e arrogância, em seu vezo de materializar todos os

conceitos e termos metafísicos, sem conceder lugar algum à metáfora e à alegoria

oriental, os nossos orientalistas haviam feito uma salsada da filosofia hindu

exotérica, e eis que os teósofos procediam de maneira idêntica em relação aos

ensinamentos esotéricos.

Sendo certo que estes últimos até hoje não chegaram a

compreender o significado da expressão "Homens da Quinta e da Sexta Ronda",

vamos dar aqui a explicação.

Cada Ronda traz consigo um desenvolvimento novo e até mesmo uma

mudança completa na constituição física, psíquica, mental e espiritual do homem;

fazendo evolucionar todos os princípios em escala sempre ascendente.

Segue-se

que homens como Confúcio e Platão, que pertenciam psíquica, mental e

espiritualmente a planos mais elevados de evolução, eram em nossa Quarta Ronda

o que o homem comum atual virá a ser na Quinta Ronda, cuja humanidade ocupará

na escala da evolução um grau bem superior àquele em que se acha a nossa

humanidade de hoje.

Do mesmo modo, Gautama Buddha (a Sabedoria encarnada)

era muito superior a todos os homens de quem acabamos de falar, chamados

"Homens da Quinta Ronda"; e por isso, Buddha e também Shankarâchârya foram

denominados "Homens da Sexta Ronda". Descobre-se assim a sabedoria oculta na

observação antes qualificada como "evasiva" — de que "algumas gotas de chuva

não fazem uma monção, se bem que as pressagiem".

E agora se compreenderá, com toda a clareza, a verdade contida na

seguinte passagem de Esoteric Buddhism:

"Quando os fatos complexos de uma

ciência ainda desconhecida são pela primeira

vez expostos a espíritos não preparados, é

impossível      apresentá-los       com    todas   as

qualificações     devidas...    e   seus    anormais

desenvolvimentos...        Devemos           primeiro

contentar-nos com as regras gerais, deixando

para depois as exceções, e é este exatamente

o caso do estudo oculto, cujos métodos

tradicionais de ensino, comumente adotados,

visam a imprimir cada idéia nova na memória,

provocando uma perplexidade, que logo se

desfaz392."

Esoteric Buddhism, pág.145.

Como o autor da observação era, conforme ele próprio diz, "um espírito

não educado no Ocultismo", suas deduções pessoais, apoiadas em seus

conhecimentos mais amplos das modernas especulações astronômicas que das

doutrinas arcaicas, o levaram naturalmente, sem que o percebesse, a cometer

alguns erros — erros mais de pormenores que propriamente dos princípios gerais.

Citaremos um deles.

Não é de muita importância, mas pode induzir muitos

principiantes a conceitos errôneos; e, uma vez que os erros da primeira edição foram

corrigidos nas anotações da quinta, do mesmo modo a sexta poderá ser ainda

revista e aperfeiçoada.

Várias foram as causas de tais enganos.

Em primeiro lugar, a

necessidade em que se viam os Mestres de dar algumas respostas "evasivas" a

perguntas demasiado insistentes, que não podiam ser deixadas em silêncio; e, de

outro lado, o caráter de certas indagações, que só podiam ser respondidas em parte.

Não obstante esta situação, o sentido daquele provérbio de que "meio pão é

preferível a nenhum pão" foi tantas vezes mal compreendido e só raramente

apreciado como devia ser.

Daí resultou que os cheias leigos da Europa se

permitiram algumas especulações gratuitas.

Entre elas, o "Mistério da Oitava Esfera"

em sua relação com a Lua, e a informação errônea de que dois dos Globos

superiores da Cadeia terrestre eram dois de nossos planetas conhecidos: "Além da

Terra… existem apenas outros dois mundos de nossa cadeia que são visíveis…

Marte e Mercúrio393..."

Foi um grande equívoco.

Deve-se porém, atribuí-lo não só à resposta

imprecisa e incompleta do Mestre como também à pergunta igualmente vaga e

indefinida do discípulo.

Ibid., pág.

136.

A indagação era: "Quais os planetas, dentre os conhecidos pela ciência

atual, que, além de Mercúrio, pertencem ao nosso sistema de mundos?" Ora, se por

"sistema de mundos" se pretendia significar a nossa Cadeia ou "Cordão" Terrestre,

por quem fez a pergunta, em vez de o "Sistema Solar dos Mundos", como devia ser

o caso, então não é de admirar que a resposta fosse mal compreendida.

Porque a

resposta foi: "Marte etc., e quatro outros planetas a respeito dos quais nada sabe a

Astronomia.

Nem A, B nem Y, Z são conhecidos, nem podem ser vistos por meios

físicos, por mais aperfeiçoados que sejam394". Tudo parece claro: (a) Nada sabe

ainda a Astronomia, na realidade, com relação aos planetas antigos nem aos que

acabam de ser descobertos nos tempos modernos, (b) Nenhum planeta

companheiro de A a Z, isto é, nenhum dos Globos superiores de qualquer Cadeia do

Sistema Solar pode ser visto, com exceção, naturalmente, de todos os planetas que

ocupam o quarto lugar na ordem numérica, como a nossa Terra, a Lua etc.

etc.

Quanto a Marte, Mercúrio e "os outros quatro planetas", nenhum Mestre

ou ocultista elevado jamais falará da relação que têm com a Terra, nem explicará a

natureza dessa relação.

Na mesma carta, um dos Mestres alude claramente a tal impossibilidade,

quando diz ao autor do Esoteric Buddhism: "Deveis compreender que me estais

propondo questões que pertencem à mais alta Iniciação; que (só) vos posso dar uma

noção geral, mas que não ouso nem desejo entrar em certos pormenores395...”

Acham-se em poder da autora desta obra cópias de todas as cartas

recebidas ou enviadas, exceto algumas que eram de caráter particular e não

continham ensinamentos, segundo disse o Mestre.

Cabendo-lhe a tarefa, desde o

começo, de responder as cartas e esclarecer certos pontos que não foram tocados,

The Mahatma Letters to A. P. Sinnett, pág.

176.       Ibid., pág.

177.

é bem provável que, apesar das muitas anotações feitas naquelas cópias, a autora,

em sua ignorância do inglês, sobretudo nessa época, e pelo receio de dizer

demasiado, houvesse incorrido em confusão quanto às informações dadas.

Que

recaiam sobre elas as responsabilidades conseqüentes, em todos os casos.

Mas

não lhe é possível consentir que os estudantes permaneçam por mais tempo sob

impressões errôneas, ou deixá-los crer que a falha é do sistema esotérico.

Seja-nos permitido afirmar agora, em termos explícitos, que a teoria

exposta é impossível, com ou sem apoio no testemunho da Astronomia moderna.

A

ciência física pode proporcionar elementos corroborativos — conquanto ainda

incertos —, mas tão-só no que se refere aos corpos celestes que ocupam o mesmo

plano material do nosso Universo objetivo.

Marte e Mercúrio, Vênus e Júpiter, como

os demais planetas até hoje descobertos, ou que o venham a ser ulteriormente, são

todos, per se, os representantes, em nosso plano, de Cadeias semelhantes à nossa.

É o que afirma claramente uma das numerosas cartas do Mestre do Sr. Sinnett:

"Existem em nosso Sistema Solar e fora dele inúmeras outras Cadeias

Manvantáricas de Globos, em que habitam Seres inteligentes396." Mas nem Marte

nem Mercúrio pertencem à nossa Cadeia.

São, da mesma forma que os demais

planetas, Unidades setenárias na grande série de Cadeias do nosso Sistema, e são

tão visíveis como invisíveis são os seus respectivos Globos superiores.

Se ainda se objetar que certas expressões nas cartas do Mestre são

capazes de induzir em erro, nós diremos: Amém; é verdade.

O autor do Esoteric

Buddhism bem o compreendeu, ao escrever que "os métodos tradicionais de

ensino... podem provocar a perplexidade" e fazê-la ou não desaparecer, conforme o

caso.

Se se acrescentar que isso devia ser dito mais cedo, explicando-se, como

The Mahatma Letters to A. P. Sinnett, pág.

119.

agora o fazemos, a verdadeira natureza dos planetas, responderemos que tal não foi

julgado oportuno até o presente momento, porque se teria aberto o caminho a uma

série de questões suplementares, que jamais seria possível solucionar por causa do

seu caráter esotérico, o que só transtornos viria trazer.

Afirmou-se desde o começo e

tem-se repetido muitas vezes: 1º Que nenhum teósofo, nem mesmo como cheia

aceito — por nada dizer dos estudantes leigos — pode esperar que lhe sejam

ministrados os ensinamentos secretos, com explicação completa e perfeita, antes de

haver-se vinculado de modo irrevogável à Fraternidade e de ter passado, no mínimo,

por uma Iniciação; pois nem símbolos nem números podem ser transmitidos ao

público, e os números e os símbolos são a chave do sistema esotérico.

2º Que a

parte já revelada era simplesmente o revestimento esotérico do que se contém em

quase todas as escrituras exotéricas das religiões do mundo, sobretudo nos

Brâhmanas, nos Upanishads e ainda dos Purânas.

Constituía, portanto, uma

diminuta parcela do que ora se divulga mais amplamente nos presentes volumes,

ainda que a nossa exposição também seja incompleta e fragmentária.

Quando deu início a este livro, a autora, convencida de que era errônea a

especulação em torno de Marte e Mercúrio, solicitou por carta aos Mestres um

esclarecimento e uma versão autorizada.

Ela os obteve de modo satisfatório em

todos os sentidos, e transcreve a seguir, textualmente, trechos das respostas

recebidas:

"...É absolutamente certo que Marte se encontra

agora em estado de obscurecimento, e que Mercúrio começa

precisamente a sair do mesmo estado.

Podeis acrescentar que

Vênus está em sua última Ronda.

. . Se nem Mercúrio nem

Vênus possuem satélites, é porque há razões.. . e também

porque Marte possui dois satélites a que não tem direito...

Fobos, o suposto satélite "interior", não é realmente um

satélite.

Assim, a antiga observação de Laplace e a recente de

Faye não se harmonizam, como vedes.

(Ler 'Comptes

Rendus', tomo XC, pág.

569.) Fobos possui um tempo

periódico demasiado curto, e portanto 'deve existir alguma

falha na idéia-mater da teoria' como Faye justamente

observa... Ademais, ambos [Marte e Mercúrio] são cadeias

setenárias tão independentes dos senhores e superiores

siderais da Terra como vós sois independente dos 'princípios'

de Daumling [o Pequeno Polegar], os quais eram talvez os

seus seis irmãos, com ou sem toucas de dormir... 'A

satisfação da curiosidade é, para alguns homens, o fim do

conhecimento', diz Bacon, que estava tão certo ao formular

este aforismo quanto aqueles que, já cientes disso, antes dele,

o estavam em distinguir sabedoria de Conhecimento e em

traçar limites ao que se deve dizer em determinado momento.

.

. Lembrai-os de que:

...O Conhecimento reside

em cabeças com pensamentos alheios;

A Sabedoria,

em mentes que refletem por si mesmas..."

"É o que jamais podereis incutir profundamente aos

espíritos daqueles a quem transmitis alguns dos ensinamentos

esotéricos."

Daremos mais alguns extratos de outra carta escrita pela mesma

autoridade, já agora em resposta a certas objeções apresentadas aos Mestres.

Fundavam-se estas em raciocínios científicos e fúteis ao mesmo tempo, quanto

à conveniência de se conciliarem as teorias esotéricas com as especulações da

ciência moderna.

Formulou-as um jovem teósofo com o objetivo de pôr à prova a

"Doutrina Secreta" e com referência a este mesmo assunto.

Insinuava que, se na

realidade existiam semelhantes Globos companheiros, "deviam ser apenas um

pouco menos materiais que a nossa Terra", por que, então, não podiam ser vistos?

Eis a resposta:

"...Se   houvesse      melhor     compreensão        dos

ensinamentos psíquicos e espirituais, a idéia de semelhante

incongruência não seria sequer aventada.

A menos que não

haja tanto desejo de conciliar o inconciliável — ou seja, as

ciências metafísicas e espirituais com a filosofia física e natural,

sendo a palavra 'natural' sinônima, para eles [os homens de

ciência], daquela matéria que cai sob a percepção dos seus

sentidos corporais —, nenhum progresso será realmente

possível.

O nosso Globo, como ficou dito desde o início, acha-

se na curva inferior do arco de descida, 'onde a matéria que

podemos perceber se manifesta em sua mais grosseira forma...

É, assim, perfeitamente compreensível que estejam em planos

diferentes e superiores os Globos companheiros de nossa

Terra.

Em resumo: como Globos, estão em coadunação, mas

não em consubstancialidade, com a nossa Terra, e pertencem,

portanto, a outro estado de consciência.

O nosso planeta

[como todos os que vemos] está adaptado à condição peculiar

dos seus habitantes humanos, condição que nos permite

contemplar com a vista ordinária os corpos siderais que se

encontram em coessência com o nosso plano e a nossa

substância terrestre, do mesmo modo que os habitantes

daqueles, Júpiter, Marte e outros, podem perceber o nosso

pequeno mundo: isto porque os nossos respectivos planos de

consciência não diferem senão em grau, sendo idênticos em

espécie e situados no mesmo estado de matéria diferenciada.

..

Veja-se o que escrevi: O Pralaya menor só se refere aos

nossos pequenos Cordões de Globos.

[Naqueles dias férteis

em confusão de palavras, chamávamos 'Cordões' às Cadeias.]

... A um desses Cordões pertence a nossa 'Terra'. Isso devia

ter mostrado claramente que os outros planetas constituem

também 'Cordões' ou Cadeias...' Para que ele [o autor da

objeção] percebesse, ainda que imprecisamente, a silhueta de

um desses 'planetas' nos planos superiores, teria primeiro que

afastar todas as nuvens de matéria astral que se interpõem

entre ele e o plano imediato..."

Fácil é, portanto, compreender por que não podemos ver, nem mesmo

com a ajuda dos melhores telescópios, o que se acha fora do nosso mundo de

matéria.

Só aqueles a quem damos o nome de Adeptos, que sabem como dirigir sua

visão mental e transferir sua consciência, tanto física como psíquica, a outros planos

de existência, podem falar como autoridade acerca de tais assuntos.

E eles nos

dizem claramente:

"Se levardes a vida que se faz mister para a

aquisição   de   semelhantes    poderes    e   conhecimento,   a

Sabedoria virá até vós de modo muito natural.

Desde o

momento em que vos seja possível sintonizar a consciência

com qualquer uma das sete cordas da 'Consciência

Universal', aquelas cordas que se acham em tensão sobre a

caixa sonora do Cosmos, vibrando ao longo de uma a outra

Eternidade; quando houverdes estudado por completo a

'Música das Esferas' — então, e somente então, tereis plena

liberdade para compartir o conhecimento com aqueles junto

aos quais é possível fazê-lo sem perigo.

Até lá, sede

prudentes.

Não deis à nossa geração atual as grandes

Verdades que constituem a herança das Raças futuras.

Não

tenteis desvendar os segredos do Ser e do Não-Ser aos que

são incapazes de compreender o significado oculto do

Heptacórdio de Apoio, a lira do deus radiante, em cada uma de

cujas sete cordas residem o Espírito, a Alma e o Corpo Astral

do Cosmos, do qual apenas a capa exterior caiu entre as mãos

da Ciência moderna... Sede prudentes, repetimos, prudentes e

sábios, e sobretudo tende o cuidado de certificar-vos do que

acreditam aqueles que ouvem os vossos ensinamentos, a fim

de que, iludindo-se a si próprios, não venham a iludir os

outros... porque tal é o destino de todas as verdades com que

os homens não se achem ainda familiarizados... É preferível

que as Cadeias Planetárias e outros mistérios supercósmicos e

subcósmicos continuem no país dos sonhos para todos

aqueles que não podem ver nem crer no que outros vêem...”

É de lamentar que poucos dentre nós tenham seguido tão sábio conselho,

e que muitas pérolas valiosas, muitas jóias de sabedoria, hajam sido entregues a

inimigos incapazes de apreciar-lhes o valor, os quais se voltaram contra nós para

nos atacar e nos caluniar.

"Imaginemos" — escreve o citado Mestre a seus dois "cheias leigos",

como ele chamava o autor do Esoteric Buddhism e outra pessoa que foi seu

companheiro de estudos durante certo tempo — "imaginemos que a nossa terra faz

parte de um grupo de sete planetas ou mundos habitados por seres humanos.

. . [Os

'Sete Planetas' são os planetas sagrados da antigüidade, todos setenários.] O

impulso de vida chega a A, ou melhor, àquele que está destinado a converter-se em

A, não passando então de poeira cósmica [um centro laya]..., etc.397."

Nessas primeiras cartas, em que necessário foi inventar e criar palavras,

"Anéis" passavam muitas vezes a "Rondas", e "Rondas" a "Ciclos de Vida"; e vice-

Ibid., pág.

94.

versa.

A um correspondente que chamou "Anel de Mundos" a uma "Ronda",

respondeu o Mestre: "Creio que isso dará lugar a maior confusão.

Todos estamos de

acordo em definir como uma Ronda a passagem de uma Manada do Globo A até o

Globo G ou Z.... 'Anel de Mundos' é correto... Interessai-vos junto ao Sr. ... no

sentido de adotar uma nomenclatura uniforme antes de passar adiante398...”

Apesar do acordo, muitos erros, devidos à confusão, passaram

despercebidos nos primeiros ensinamentos.

Até as "Raças" foram algumas vezes

confundidas com as "Rondas" e os "Anéis", o que induziu a erros semelhantes que

se vêem no livro Man: Fragments of Forgotten History.

Já desde o começo havia o

Mestre escrito:

"Não me sendo permitido comunicar-vos a verdade

completa nem divulgar um número de frações isoladas.

. . vejo-

me impossibilitado de vos satisfazer399."

"Foi isso em resposta à indagação: "Se estamos no caminho certo, então

a existência total que precedeu ao período humano é 637" etc.

etc.

A todas as

perguntas que envolviam números, respondia-se: "Cuidai de resolver o problema

das 777 encarnações... Embora eu seja obrigado a recusar a informação... contudo,

se encontrardes a solução por vós mesmos, meu dever será dizê-lo400."

Mas a solução não foi encontrada, daí resultando perplexidades e erros a

miúdo repetidos.

O próprio ensinamento relativo à constituição setenária dos corpos

siderais e do macrocosmo — de que advém a divisão setenária do homem ou

Ibid., pág.

80.     Ibid., pág.

81.     Ibid., pág.

83.

microcosmo — era até agora considerado como dos mais esotéricos.

Nos tempos

antigos só eram dados a conhecer no momento da Iniciação, juntamente com os

números mais sagrados dos Ciclos.

Conforme já foi dito numa revista teosófica401,

não havia a intenção de revelar-se agora todo o sistema cosmogônico, nem por um

instante se pensou que isso fosse possível na época atual, em que, como resposta a

uma série de perguntas formuladas pelo autor do Esoteric Buddhism, não eram

ministradas senão algumas informações parcimoniosas.

Entre as questões propostas figuravam umas que envolviam problemas

de tal ordem que nenhum mestre, por mais graduado e independente que fosse,

teria o direito de esclarecer, divulgando assim ao mundo os mais arcaicos e

venerandos mistérios dos antigos templos e instituições.

Por isso só algumas das

doutrinas foram reveladas, assim mesmo em suas linhas gerais, deixando-se em

silêncio as minúcias; e todas as tentativas visando à obtenção de dados mais

amplos foram sistematicamente elucidadas.

Era de todo natural que assim fosse.

Dos quatro Vidyâs, dentre os sete

ramos do Conhecimento mencionados nos Purânas —, a saber: Yajna-Vidyâ, a

prática de ritos religiosos para a consecução de certos resultados; Mahâ-Vidyâ, o

grande conhecimento (mágico), hoje degenerado no culto Tântrico; Guhya-Vidyâ, a

ciência dos Mantras e do seu verdadeiro ritmo ou canto, dos encantamentos

místicos etc.; e Âtmâ-Vidya, ou a Sabedoria Divina e verdadeiramente Espiritual; —

somente este último é capaz de lançar uma luz definitiva e absoluta sobre os

ensinamentos dos três primeiros.

Sem o auxílio de Âtma-Vidyâ, os outros três ramos

não passam de ciências superficiais, à maneira de grandezas geométricas que têm

largura e comprimento mas nenhuma espessura.

São como a alma, os membros e a

Lúcifer, maio de 1888.

mente de um homem que dorme, capaz de movimentos mecânicos, de sonhos

incoerentes e até de caminhar feito um sonâmbulo; de produzir efeitos visíveis, mas

estimulados tão somente por causas instintivas, não intelectuais, e de modo algum

por impulsos espirituais plenamente conscientes.

Das três primeiras ciências é possível explicar e ensinar muita coisa.

Entretanto, a menos que Âtmâ-Vidya proporcione a chave para os ensinamentos,

permanecerão elas, como sempre, quais fragmentos de um livro cujo texto foi

mutilado; sombras de grandes verdades, percebidas vagamente pelos mais

espirituais, mas deformadas a tal ponto que não podem ser reconhecidas por

aqueles que desejariam fixar cada sombra na parede.

Outra grande perplexidade invade a mente do estudante ao ser-lhe

apresentada uma exposição incompleta da doutrina referente à evolução das

Mônadas.

Para que seja bem compreendida essa doutrina, faz-se mister não só a

evolução em si como o processo de nascimento dos Globos, muito mais sob o

aspecto metafísico que de um ponto de vista que poderíamos chamar estatístico,

isto é, que expõe cifras e números cujo pleno uso não é permitido senão raramente.

Infelizmente, são poucos os que se sentem inclinados a ocupar-se de tais doutrinas

em seu sentido puramente metafísico.

Dos escritores ocidentais, o que melhor

discorreu sobre o assunto chegou a dizer em sua obra, ao falar da evolução das

Mônadas: "Em semelhante metafísica pura não estamos, por ora, empenhados402."

Mas então, como observou o Mestre em carta que lhe dirigiu: "Por que predicar as

nossas doutrinas, por que todo esse penoso trabalho, esse nadar 'in adversum

flumen’? Por que o Ocidente há de aprender do Oriente.

.. o que jamais poderá

satisfazer as exigências dos gostos especiais dos estetas?" E chama a atenção do

Esoteric Buddhism,.pág.

46 (5.a edição).

seu correspondente para as "tremendas dificuldades que [os Adeptos] deparam toda

vez que tentam explicar sua metafísica ao espírito ocidental".

E bem que o pode dizer: pois fora da metafísica não há Filosofia Oculta

nem Esoterismo possível.

É como se tratássemos de explicar as aspirações e os

afetos, o amor e o ódio, o mais íntimo e sagrado das operações da alma e a

inteligência do homem vivente, pela descrição anatômica do tórax e do cérebro de

seu cadáver.

Vejamos agora dois pontos a que antes aludimos e sobre os quais existe

apenas ligeira referência no Esoteric Buddhism, a fim de acrescentarmos os

esclarecimentos que estiverem ao nosso alcance.

FATOS E EXPLICAÇÕES ADICIONAIS REFERENTES AOS GLOBOS E ÀS                          MÔNADAS

Devemos citar duas declarações contidas no livro Esoteric Buddhism e as

opiniões expendidas pelo autor.

A primeira daquelas é a seguinte:

"As Mônadas espirituais... não esgotam inteiramente

sua existência mineral no Globo A, mas o fazem depois no

Globo B, e assim sucessivamente.

Dão várias vezes a volta em

todo o círculo como minerais, várias vezes depois como

vegetais, e finalmente circulam várias vezes mais como

animais.

Abstemo-nos propositadamente, por enquanto, de

mencionar cifras etc., etc.403"

Op. cit., pág.

49.

Foi uma atitude prudente, uma vez que se mantinha grande segredo em

relação aos números e cifras.

Tal reserva já hoje não subsiste, pelo menos

parcialmente; mas seria talvez preferível dar os números exatos que governam as

Rondas e os circuitos evolutivos, ou então omiti-los por completo.

O Sr. Sinnett

compreendeu muito bem esta dificuldade, ao dizer:

"Em virtude de razões que ao público não é fácil

adivinhar, os detentores do conhecimento oculto se mostram

particularmente reservados ao exporem fatos numéricos que se

relacionam com a cosmogonia, embora seja difícil para o não

iniciado compreender o motivo de semelhante abstenção404."

Razões havia, evidentemente.

Certo é, porém, que a essa reticência se

deve a maior parte das idéias confusas de alguns discípulos, assim orientais como

ocidentais.

As dificuldades que se interpunham para a aceitação dos dois pontos de

que se trata foram consideráveis, precisamente por falta de dados em que apoiá-los.

Mas isso aconteceu porque, conforme mais de uma vez haviam declarado os

Mestres, as cifras pertinentes aos cálculos ocultos não podem ser transmitidas fora

do círculo dos cheias ajuramentados, nem estes podem quebrantar as regras.

Para dilucidar as coisas, sem ferir os aspectos matemáticos da doutrina, é

lícito ampliar os ensinamentos, a fim de dissipar certas obscuridades.

Como a

evolução dos Globos e a das Mônadas estão intimamente entrelaçadas, trataremos

de unificar os dois ensinamentos.

Ibid., pág.

149.

No que se refere às Mônadas, lembramos ao leitor que a filosofia oriental

repugna o dogma teológico ocidental de que em cada nascimento ocorre a criação

de uma nova alma, dogma tão pouco filosófico quanto impossível na economia da

Natureza.

Deve existir um número limitado de Mônadas, que evolucionam e se

tornam cada vez mais perfeitas mediante a assimilação de muitas personalidades

sucessivas em cada novo Manvantara.

Tal é absolutamente necessário em vista das

leis do Renascimento e do Carma, e do retorno gradual da Mônada humana à sua

origem — a Divindade Absoluta.

Assim, embora as legiões de Mônadas, em maior

ou menor grau de evolução, sejam quase incalculáveis, não deixam de ser em

número determinado e finito, como todas as coisas neste Universo diferenciado.

Conforme indicamos no diagrama duplo dos Princípios Humanos e dos

Globos em ascensão nas Cadeias de mundos405, existe um eterno encadeamento

de causas e efeitos; e uma analogia perfeita reina de ponta a ponta, associando

todas as linhas de evolução.

Um é a causa de outro: assim em relação aos Globos

como às Personalidades.

Mas comecemos pelo princípio.

Acabamos de traçar um esboço geral do processo evolutivo, pelo qual se

formam as Cadeias Planetárias sucessivas.

Com o intuito de prevenir possíveis

erros futuros, desejamos acrescentar algumas informações, que também vão

projetar luz sobre a história de nossa própria Cadeia (filha da Cadeia Lunar).

No quadro que se segue, a Figura 2 representa a Cadeia Lunar de sete

Globos no início de sua sétima e última Ronda, e a Figura 3 mostra a Cadeia

terrestre que, ainda não existente, irá surgir.

Os sete Globos de cada Cadeia se

distinguem em sua ordem cíclica pelas letras A a G, e os Globos da Cadeia

Terrestre estão, além disso, assinalados com uma cruz (+), símbolo da Terra.

V. página 197.

Figura 2: DIAGRAMA II      Figura 3: CADEIA LUNAR             Figura 4: CADEIA TERRESTRE

As Mônadas que circulam por uma Cadeia Planetária — convém agora ter

presente — estão divididas em sete Classes ou Hierarquias, segundo seus

respectivos graus de evolução, consciência e mérito.

Acompanhemos, pois, a ordem

de seu aparecimento no Globo A, durante a primeira Ronda.

Os espaços de tempo

que medeiam entre um e outro aparecimento dessas Hierarquias em um Globo são

ajustados de tal modo que, ao surgir a classe 7 (a última) no Globo A, a classe 1 (a

primeira) terá justamente acabado de passar ao Globo B, e assim por diante, passo

a passo, ao redor de toda a Cadeia.

De igual modo, na Sétima Ronda da Cadeia Lunar, quando a classe 7 (a

última) se retira do Globo A, este, em vez de ficar adormecido, como aconteceu nas

Rondas anteriores, começa a morrer (a entrar em seu Pralaya Planetário)406; e,

morrendo, transfere sucessivamente, conforme já dissemos, os seus princípios ou

elementos de vida e energia, um após outro, a um novo centro "laya", onde tem

início a formação do Globo A da Cadeia Terrestre.

Processo semelhante ocorre em

cada um dos Globos da Cadeia Lunar, dando ensejo à formação sucessiva de novos

Globos da cadeia Terrestre.

Nossa Lua era o quarto Globo da série, situando-se no mesmo plano de

percepção da Terra.

Mas o Globo A da Cadeia Lunar não estará inteiramente

"morto" antes que as primeiras Mônadas da primeira Classe tenham passado do

Globo G ou Z (o último da Cadeia Lunar) para o Nirvana, que as aguarda entre as

duas Cadeias, e o mesmo sucede em relação aos demais Globos, cada qual dando

nascimento ao Globo correspondente da Cadeia Terrestre.

Em seguida, quando já se acha pronto o Globo da nova Cadeia, a

primeira Classe ou Hierarquia de Mônadas da Cadeia Lunar se encarna sobre esse

Globo, no reino inferior; e assim consecutivamente.

Donde resulta que só a primeira

Classe de Mônadas é que atinge o estado de desenvolvimento humano durante a

primeira Ronda, visto que a segunda Classe, chegando mais tarde em cada Globo,

não tem tempo de o alcançar.

Por isso, as Mônadas da Classe 2 vão atingir a

condição humana incipiente tão só na Segunda Ronda; e assim por diante, até o

meado da Quarta Ronda.

A esta altura, porém, e na mesma Quarta Ronda, em que

se encontrará plenamente desenvolvido o estado humano, fecha-se a "porta" que dá

entrada ao reino humano, a partir desse momento o número de Mônadas

O Ocultismo divide os períodos de repouso (Pralaya) em várias classes: há o Pralaya individual de cada Globo, que se dá quando a humanidade e a vida passam ao Globo seguinte (o que determina a ocorrência de sete Pralayas menores em cada Ronda); o Pralaya Planetário, quando se completam sete Rondas, o Pralaya Solar, quando todo o sistema chega ao seu fim; e, por último, o Pralaya Universal, Mahâ ou Brahmâ Pralaya, que sobrevém ao terminar a Idade de Brahma.

São estes os principais Pralayas ou “períodos de destruição”. Há também diversos Pralayas menores, mas deles não nos devemos ocupar agora.

"humanas", isto é, de Mônadas em estado de desenvolvimento humano, está

completo.

As Mônadas que até então não lograram a condição humana ver-se-ão,

em virtude mesmo da evolução da humanidade, tão atrasadas, que só no fim da

Sétima e última Ronda irão alcançar aquele estado.

Não serão "homens" nesta Cadeia; mas formarão a humanidade de um

Manvantara futuro.

Quando chegarem a ser "homens", isto se dará numa Cadeia em

tudo superior à nossa: terão deste modo a sua compensação Cármica.

Só há uma

exceção, que encontra seu fundamento em boas razões; e dela nos ocuparemos

oportunamente.

Mas o que precede explica as diferenças existentes entre as Raças.

Observe-se como é perfeita a analogia entre a evolução da Natureza no

Cosmos e a do homem individual.

Este último vive durante seu ciclo de existência, e

morre; seus princípios superiores, que correspondem, no desenvolvimento de uma

Cadeia Planetária, às Mônadas em evolução, passam ao Devachan, que

corresponde ao Nirvana e aos estados de repouso entre duas Cadeias.

Os

princípios inferiores do homem se desintegram com o tempo, e a Natureza os

reutiliza para a formação de novos princípios humanos; processo idêntico ao da

desintegração e formação dos mundos.

A Analogia, portanto, é o mais seguro guia

para a compreensão dos ensinamentos ocultos.

Esse é um dos "sete mistérios" da Lua; e ei-lo agora revelado.

Os "sete

mistérios" são chamados as "Sete Jóias" pelos Yama-booshis japoneses (os

místicos da seita de Lao-Tse e os monges ascetas de Kioto, os Dzeno-doo); sendo

de notar, porém, que os ascetas e iniciados budistas japoneses e chineses são

ainda menos inclinados que os da índia a comunicar os seus "Conhecimentos".

Mas, não sendo conveniente que o leitor perca de vista as Mônadas,

devemos esclarecê-lo quanto à natureza delas, até o ponto em que tal nos seja

possível, sem entrar na área dos mistérios mais elevados, a respeito dos quais a

autora não tem a pretensão de conhecer a última palavra.

As Legiões Monádicas podem ser divididas, grosso modo, em duas

grandes classes:

1. As Mônadas mais desenvolvidas — os Deuses Lunares ou "Espíritos"

chamados na índia Pitris — cuja função é passar, na primeira Ronda, através

do ciclo tríplice e completo dos reinos mineral, vegetal e animal, em suas

formas mais nebulosas, etéreas e rudimentares, assumindo-as, a fim de

assimilar a natureza da Cadeia recentemente formada.

Estas Mônadas são as

primeiras a alcançar a forma humana (se é que pode existir alguma forma no

reino do quase subjetivo) sobre o Globo A, na primeira Ronda.

São elas,

portanto, que se acham na vanguarda do elemento humano e o representam

durante a Segunda e a Terceira Rondas, e que, finalmente, preparam suas

sombras, no começo da Quarta Ronda, para a segunda Classe, ou seja, para

as Mônadas que virão em seguida.

2. As Mônadas que são as primeiras a alcançar o estado humano durante três e

meia Rondas, tornando-se "homens".

3. Os retardatários, as Mônadas em atraso e que, por impedimentos Cármicos,

não chegarão ao estado humano durante este Ciclo ou Ronda, salvo uma

exceção de que trataremos mais adiante, conforme já prometemos.

Fomos obrigados a empregar nesta exposição a palavras algo imprecisa

"homens", prova evidente de como as línguas européias são pouco aptas para

expressar distinções sutis.

Claro é que tais "homens" não se pareciam com os homens de hoje, nem

quanto à forma nem quanto à natureza.

Por que, então, chamá-los "homens"? —

perguntar-se-á. Porque não existe outro termo em nenhuma das línguas ocidentais

que possa dar uma idéia aproximada do que se tem em mira.

A palavra "homens"

indica, pelo menos, que estes seres eram "Manus407", entidades pensantes, ainda

que muito diferentes em forma e em inteligência dos homens atuais.

Na realidade

eram, no que respeita à espiritualidade e à inteligência, mais "deuses" do que

"homens".

A mesma dificuldade de linguagem ocorre para a descrição dos "estágios"

por que passa a Mônada.

Em termos metafísicos, é naturalmente absurdo falar do

"desenvolvimento" de uma Mônada, ou dizer que ela se converte em "homem". Mas

qualquer tentativa de guardar a exatidão metafísica usando um idioma ocidental

exigiria, no mínimo, três volumes a mais, e daria lugar a uma série de repetições

sobremodo enfadonhas.

É lógico que a Mônada não pode progredir nem

desenvolver-se, nem mesmo ser influenciada pelas mudanças de estado por que

passa.

Ela não pertence a este mundo ou a este plano, e é comparável somente a

uma indestrutível estrela de luz e fogo divino, que vem até a nossa Terra como uma

tábua de salvação para as personalidades em que habita.

Cabe a estas últimas

arrimarem-se a ela, a fim de, participando de sua natureza divina, obterem a

imortalidade.

Abandonada a si mesma, a Mônada não se prenderia a ninguém; mas,

Raiz sânscrita man, pensar, imaginar.

tal como a tábua, é arrastada a outra encarnação pela corrente incessante da

evolução.

A evolução da forma externa, ou corpo, em torno do astral, é produzida

pelas forças terrestres, do mesmo modo que nos reinos inferiores; mas a evolução

do Homem interno ou real é puramente espiritual.

Já não é a passagem da Mônada

impessoal através das múltiplas e variadas formas de matéria — dotadas, quando

muito, de instinto e consciência em um plano completamente diferente —, como no

caso da evolução externa; é uma viagem da "Alma-Peregrino" através de estados

diversos, não só de matéria, mas de consciência e percepção próprias, ou de

percepção que dimana da consciência do conhecimento interno.

A Mônada emerge do seu estado de inconsciência espiritual e intelectual

e, saltando os dois primeiros planos (demasiado próximos do Absoluto para que seja

possível qualquer correlação com algo pertencente a um plano inferior), chega

diretamente ao plano da Mentalidade.

Mas não há, em todo o Universo, plano que

ofereça maior margem e mais vasto campo de ação que o plano mental, com suas

gradações quase infinitas de qualidades perceptivas e aperceptivas; plano este que,

além do mais, possui uma região inferior conveniente a cada "forma", desde a

Mônada Mineral até o seu florescer em Mônada Divina, graças à evolução.

Durante

todo esse tempo, porém, a Mônada é uma só e sempre a mesma, diferenciando-se

apenas em suas encarnações, através de seus ciclos sucessivos de obscurecimento

parcial ou total do espírito, ou de obscurecimento parcial ou total da matéria — as

duas antíteses polares — conforme se eleve em busca do reino da espiritualidade

mental ou desça aos abismos da materialidade.

Voltemos ao Esoteric Buddhism.

A segunda assertiva refere-se ao longo período que transcorre entre a

época mineral no Globo A e a época do homem — sendo a expressão "época do

homem" usada à vista da necessidade de dar um nome a esse quarto reino que

sucede ao do animal, embora na verdade o "homem" no Globo A, durante a Primeira

Ronda, não seja propriamente o homem, senão o seu protótipo, a sua imagem sem

dimensões, provinda das regiões astrais.

Eis o trecho a que aludimos:

"O completo desenvolvimento da era mineral no

Globo A prepara o caminho para o desenvolvimento vegetal; e,

tão logo este se inicia, o impulso de vida mineral transfunde-se

para o Globo B. Depois, quando o desenvolvimento vegetal no

Globo A está completo, e principia o desenvolvimento animal, o

impulso de vida vegetal passa ao Globo B, enquanto o impulso

mineral se traslada para o Globo C. Então, e finalmente, chega

ao Globo A o impulso de vida humana408."

E assim a onda vital continua durante três Rondas, até que diminui a sua

marcha e por fim se detém no limiar do nosso Globo, na Quarta Ronda: detém-se,

porque então alcançou o período humano (do verdadeiro homem físico que vai

surgir), o sétimo.

Isto é evidente, pois se diz que:

"...existem modos de evolução que precedem o reino

mineral, e assim é que uma onda de evolução, ou melhor,

várias ondas de evolução precedem a onda mineral em seu

progresso em torno das esferas409."

Págs.

48 e       IBID.

Devemos agora citar parte do artigo "A Mônada Mineral" de Five Years of

Theosophy:

"Existem sete reinos.

O primeiro grupo compreende

três graus de dementais ou centros nascentes de forças —

desde o primeiro estado de diferenciação de Mûlaprakriti (ou

antes, de Pradhâna, matéria primordial homogênea) até o seu

terceiro    grau     —     isto   é,    da    plena     inconsciência      à

semipercepção; o segundo grupo, mais elevado, inclui os

reinos desde o vegetal ao homem.

O reino mineral forma,

assim, o ponto central ou giratório nos graus da "Essência

Monádica", considerada como uma energia que evoluciona.

Três estados (subfísicos) no dementai; o reino mineral; três

estados no aspecto objetivo físico410: tais são os sete elos

(primeiros ou preliminares) da cadeia evolutiva411."

"Preliminares", porque são preparatórios; e, embora pertençam de fato à

evolução natural, estariam mais corretamente descritos como pertencentes à

evolução infranatural.

Este processo se detém no terceiro de seus estágios, já no

limiar do quarto, quando passa a ser, no plano da evolução natural, o primeiro

estado que conduz realmente ao homem, formando assim, com os três reinos

dementais, os dez, o número Sephirotal.

É neste ponto que começa

"Físico" aqui significa diferenciado para objetivos e trabalhos cósmicos; contudo, aquele "aspecto físico", ainda que objetivo para a percepção interna de seres de outros planos, é completamente subjetivo para nós, em nosso plano.

Págs.

276 e seguintes.

"Uma descida do espírito na matéria, equivalente a

uma ascensão no processo evolutivo físico; um reerguimento

desde os mais profundos abismos da matéria (o mineral) para o

seu statu quo ante, com uma dissipação correspondente de

organismos concretos — até o Nirvana, o ponto em que se

desvanece a matéria diferenciada412."

Faz-se, portanto, evidente a razão por que a "onda de evolução" ou o

"impulso mineral, vegetal, animal e humano" (expressões usadas pertinentemente

no Esoteric Buddhism) se detém no limiar do nosso Globo, em seu Quarto Ciclo ou

Ronda.

Neste ponto é que a Mônada Cósmica (Buddhi) se une ao Raio Átmico,

tornando-se o veículo deste; ou seja, que Buddhi desperta para a apercepção ou

conhecimento interno de Âtman, dando assim o primeiro passo em uma nova escala

setenária de evolução, que deverá conduzi-lo mais tarde ao décimo estádio

(contando de baixo para cima) da Árvore Sephirothal, a Coroa.

No Universo todas as coisas seguem a lei da Analogia.

"Em baixo como

em cima"; o Homem é o microcosmo do Universo.

O que se passa no plano

espiritual repete-se no plano cósmico.

A concreção segue as linhas da abstração; o

inferior deve corresponder ao superior; o material ao espiritual.

Assim, em

correspondência à Coroa Sephirothal ou Tríade Superior, existem os três reinos

dementais que precedem o reino mineral413, e que, para usar a linguagem dos

cabalistas, correspondem, na diferenciação cósmica, aos mundos da Forma e da

Matéria, desde o Super-Espiritual ao Arquétipo.

Ibid.

Veja-se o diagrama, op. cit., pág.

277.

Que é uma Mônada? Que relação tem com um Átomo? A resposta que se

segue baseia-se nas explicações que sobre estes problemas oferece o artigo já

citado, "A Mônada Mineral", escrito pela autora.

Dissemos quanto à segunda

pergunta:

"A Mônada não tem relação de espécie alguma com

o átomo ou a molécula, no sentido em que a ciência

atualmente os conceitua.

Nem pode ser comparada com os

organismos microscópicos, outrora classificados entre os

infusórios poligástricos e hoje considerados como vegetais, na

classe das algas.

Nem é tampouco a monas dos peripatéticos.

Física ou constitucionalmente, a Mônada Mineral difere sem

dúvida da Mônada Humana, que não é física, possuindo uma

estrutura que não pode ser representada por meio de símbolos

e elementos químicos414."

Em resumo: assim como a Mônada Espiritual é Una, Universal, Ilimitada e

Indivisa, se bem que os seus Raios formem o que em nossa ignorância chamamos

"Mônadas Individuais" dos homens, assim também a Mônada Mineral (achando-se

no arco oposto do círculo) é Una, e dela procedem os inumeráveis átomos físicos,

que a Ciência principia a considerar como individualizados.

"Se não, como se poderia explicar o progresso

evolutivo e em espiral dos quatro reinos? A Mônada é a

Op. cit., págs.

273 e 274.

combinação dos dois últimos princípios do homem, o sexto e o

sétimo; e, propriamente falando, a expressão "Mônada

Humana" deve aplicar-se tão-só ao seu princípio superior,

espiritual e vivificante, Âtmâ.

Mas, como a Alma Espiritual,

separada deste último (Âtmâ), não pode ter existência ou modo

algum de ser, foi ela assim chamada...

Ora, a Essência Monádica, ou antes Cósmica (se

podemos empregar este termo em relação ao mineral, ao

vegetal e ao animal), conquanto a mesma através da série dos

ciclos, desde o elemental mais ínfimo até o reino dos Devas,

difere, contudo, na escala de progressão.

Seria de todo

errôneo imaginar a Mônada como uma Entidade separada, a

percorrer lentamente uma determinada senda, através dos

reinos inferiores, para florescer em um ser humano após uma

série incalculável de transformações; em uma palavra, supor

que a Mônada de um Humboldt, por exemplo, proviesse da de

um átomo de greda.

Em vez de se dizer "Mônada Mineral",

expressão que seria mais correta na ciência física, que

diferencia cada átomo, falar-se-ia com mais propriedade

dizendo: "A Mônada em manifestação naquela forma de

Prakriti chamada Reino Mineral." O átomo, tal como se

conceitua nas hipóteses científicas correntes, não é uma

partícula de algo, animada por algo psíquico e destinada a

despontar como um homem após o transcurso de largos evos.

Mas é a manifestação concreta de uma Energia Universal,

ainda não individualizada; manifestação serial da única Monas

universal.

O Oceano da Matéria não se divide em suas gotas

potenciais e constituintes antes que a onda do impulso de vida

atinja o estágio evolutivo humano.

A tendência para a

segregação em Mônadas individuais é gradativa, e quase

chega a este ponto nos animais superiores.

Os peripatéticos

aplicavam a palavra Monas a todo o Cosmos e no sentido

panteísta; os ocultistas, por uma questão de comodidade,

aceitam essa idéia, mas distinguem do abstrato os graus

progressivos do concreto, por meio de termos como "Mônada

Mineral, Vegetal, Animal" etc.

A expressão quer dizer

simplesmente que a onda da evolução espiritual está passando

por aquele arco de seu circuito.

É no reino vegetal que a

"Essência     Monádica"      começa    imperceptivelmente     a

diferenciar-se no sentido da consciência individual.

Sendo as

Mônadas coisas não compostas, como acertadamente as

definiu Leibnitz, a Essência Espiritual, que as vivifica em seus

diversos graus de manifestação, é que constitui, propriamente

falando, a Mônada — e não a agregação atômica, que não é

senão o veículo, a substância através da qual vibram os graus

inferiores e superiores da inteligência415."

Leibnitz     considerava   as   Mônadas    como    unidades   dementais    e

indestrutíveis, dotadas do poder de dar e de receber em relação às outras unidades,

Op. Cit., págs.

274 e 275.

assim determinando todos os fenômenos de ordem espiritual e física.

Foi ele quem

inventou a palavra "apercepção", que expressa, não com a percepção, mas antes

com a sensação nervosa, o estado da consciência Monádica através de todos os

reinos, até o homem.

É possível, assim, que, do ponto de vista estritamente metafísico, seja

incorreto dar a Âtmâ-Buddhi o nome de Mônada, pois aquele, encarado pelo ângulo

da matéria, é duplo e, portanto, composto.

Mas, como Matéria é Espírito, e vice-

versa, e assim como o Universo e a Divindade que o anima não podem ser

concebidos separadamente um do outro, o mesmo sucede no caso de Âtmâ-Buddhi.

Sendo o último o veículo do primeiro, Buddhi está para Âtmâ assim como Adão-

Kadmon, o Logos cabalístico, se acha em relação a Ain-Suph, ou como Mûlaprakriti

em relação a Para-brahman.

Agora, mais algumas palavras sobre a Lua.

Perguntar-se-á: que são as "Mônadas Lunares", de que há pouco se

falou?

A descrição das sete Classes de Pitris virá depois; não podemos dar

agora senão algumas explicações gerais.

Está visto que são Mônadas que, havendo

ultimado seu Ciclo de Vida na Cadeia Lunar, a qual é inferior à Cadeia Terrestre, se

encarnaram nesta última.

Cuidaremos, porém, de acrescentar alguns pormenores,

embora não o possamos fazer com muita amplitude por se situarem demasiado

perto da área proibida.

A última palavra do mistério só é divulgada aos Adeptos;

podemos dizer, contudo, que o nosso satélite é apenas o corpo grosseiro de seus

princípios invisíveis.

Considerando que existem sete Terras, deve também haver

sete Luas; outro-tanto sucede em relação ao Sol, cujo corpo visível não passa de um

Mâyâ, um reflexo, como o é o corpo do homem.

"O verdadeiro Sol e a verdadeira

Lua são tão invisíveis como o homem real" — diz uma máxima oculta.

E cabe observar, de passagem, que os antigos, afinal de contas, não

eram tão néscios, como se quis fazer acreditar, quando formularam, pela primeira

vez, a idéia da existência de "Sete Luas".        Porque, embora tal conceito seja

unicamente interpretado como medida astronômica do tempo, sob um aspecto

bastante materializado, é possível reconhecer, por baixo da superfície grosseira,

os traços de uma idéia profundamente filosófica.

Em verdade, só em um sentido a

Lua é satélite da Terra: o de que a Lua gira em torno da Terra.

Em outros aspectos,

porém, a Terra é que é satélite da Lua.

Por surpreendente que pareça esta

declaração, não deixam de confirmá-la os conhecimentos científicos.

São fatos

indicativos: as marés, as mudanças cíclicas supervenientes a várias enfermidades,

que coincidem com as fases lunares, o desenvolvimento das plantas, e notadamente

os fenômenos da concepção e da gestação humanas.

A importância da Lua e sua

influência sobre a Terra eram reconhecidas por todas as religiões antigas, sobretudo

pela dos Judeus, e têm sido assinaladas por muitos observadores dos fenômenos

psíquicos e físicos.

Para a Ciência, no entanto, a ação da Terra sobre a Lua se limita

à atração física, que é a causa de girar esta última na órbita daquela.

E se alguém

insistir em objetar que este fato, por si só, constitui uma prova suficiente de que a

Lua é realmente o satélite da Terra, poderemos responder-lhe perguntando se a

mãe que passeia em torno de seu filho, a fim de por ele velar, lhe estaria por isso

subordinada ou dependente.

Muito embora em certo sentido ela seja o seu satélite,

não haverá dúvida de que tem mais idade e é mais desenvolvida que o filho sob

seus cuidados.

É a Lua, portanto, que representa o papel principal e de maior

importância, seja na própria formação da Terra, seja no seu povoamento por seres

humanos.

As Mônadas Lunares ou Pitris, que são os antepassados do homem,

assumem na realidade a própria personalidade humana.

São as Mônadas que

entram no ciclo de evolução no Globo A, e que, perpassando na Cadeia de Globos,

desenvolvem a forma humana, conforme dissemos anteriormente.

No começo do

estado humano da Quarta Ronda, neste Globo, os Pitris "exsudam" seus duplos

astrais das formas "simiescas" que haviam desenvolvido na Terceira Ronda.

E foi

essa forma sutil e tênue que constituiu o modelo pelo qual a Natureza construiu o

homem físico.

Tais Mônadas, ou Centelhas Divinas, são assim os Antepassados

Lunares, os próprios Pitris; pois estes Espíritos Lunares devem converter-se em

"homens", a fim de que suas Mônadas possam atingir um plano mais elevado de

atividade e de autoconsciência, isto é, o plano dos Mânasa-Putras, aqueles que dão

a "mente" aos cascões "inconscientes" criados e animados pelos Pitris, na última

parte da Terceira Raça-Raiz.

De modo idêntico, as Mônadas ou Egos dos homens da Sétima Ronda da

nossa Terra — depois que os nossos próprios Globos A, B, C, D etc., separando-se

de sua energia vital, houverem animado e assim chamado à vida outros centros

"laya", destinados a viver e a atuar num plano de existência mais elevado ainda —

de modo idêntico, essas Mônadas ou Egos serão os Antepassados Terrestres

criadores dos que hão de ser superiores a eles.

Está claro agora que existe na Natureza um tríplice esquema evolutivo,

para a formação dos três Upadhis periódicos; ou melhor, três esquemas separados

de evolução, que em nosso sistema se acham entrelaçados e combinados em todas

as suas partes.

São a evolução Monádica (ou Espiritual), a Intelectual e a Física.

Os

três são os aspectos finitos, os reflexos, no campo da Ilusão Cósmica, de Âtmâ, o

sétimo princípio, a Realidade Única.

1. A evolução Monádica, como a expressão indica, relaciona-se com o

crescimento e desenvolvimento da Mônada em fases de atividade cada vez

mais elevadas, em conjunção com

2. A evolução Intelectual, representada pelos Mânasa-Dhyânis (Devas Solares

ou Pitris Agnishvatta), aqueles que "dão ao homem a inteligência e a

consciência"; e com

3. A evolução Física, representada pelos Chhâyâs dos Pitris Lunares, Chhâyâs

em torno dos quais a Natureza formou o corpo físico atual.

Este Corpo serve

de veículo ao "crescimento" (empregando uma palavra inadequada) e às

transformações (por meio de Manas e graças à cumulação de experiências)

do Finito no Infinito, do Transitório no Eterno e Absoluto.

Cada um dos três sistemas tem suas próprias leis, é regido e guiado por

grupos diferentes dos mais excelsos Dhyânis ou Logos.

Cada sistema está

representado na constituição do homem, o Microcosmos do Macrocosmo; e é a

reunião, no homem, daquelas três correntes que faz dele o ser complexo que

atualmente é.

A Natureza, a Força evolutiva física, não poderia, por si só, desenvolver

jamais a inteligência; ela não é capaz de criar senão "formas desprovidas de

entendimento", conforme se verá em nossa Antropogênese.

As Mônadas Lunares

não podem progredir, porque não tiveram ainda o contato suficiente com as formas

criadas pela "Natureza", a fim de obter, por meio destas, as experiências

acumuladas.

São os Mânasa-Dhyânis que representam a força evolutiva da

Inteligência e da Mente; o laço de união entre o Espírito e a Matéria, nesta Ronda.

Deve-se ainda ter presente que as Mônadas que entram no ciclo evolutivo

no Globo A, durante a Primeira Ronda, se encontram em diferentes graus de

desenvolvimento.

O assunto se torna, portanto, mais complexo.

Recapitulemos.

As mais desenvolvidas, às Mônadas Lunares, alcançam o estado humano

germinal na Primeira Ronda; passam a seres humanos terrestres, ainda que etéreos,

lá para o fim da Terceira Ronda, permanecendo no Globo, durante o período de

"obscurecimento", como germes da humanidade futura da Quarta Ronda, e

representando assim os precursores do gênero humano ao iniciar-se a Ronda atual,

a Quarta.

Outras Mônadas só vão alcançar o estado humano nas Rondas Primeira e

Terceira ou na primeira metade da Quarta.

E, finalmente, as mais atrasadas, ou seja,

aquelas que ainda ocupam formas animais após o ponto médio da curva da Quarta

Ronda, não chegarão a ser homens durante todo este Manvantara.

Só irão

despontar nas fronteiras da humanidade quando a Sétima Ronda estiver em seu

período final, para serem, por sua vez, introduzidas em uma nova Cadeia, depois do

Pralaya, pelos peregrinos mais antigos, os progenitores da Humanidade, aqueles

que foram chamados a Semente da Humanidade (Shishta), isto é, os Homens que

formarão a vanguarda de todos no final destas Rondas.

O estudante pouca necessidade terá agora de outra explicação quanto ao

papel desempenhado pelo Quarto Globo e a Quarta Ronda no esquema da

evolução.

Pelos diagramas apresentados, que são aplicáveis, mutatis mutandis, às

Rondas, aos Globos e às Raças, ver-se-á que o quarto membro de uma série ocupa

uma posição única.

Ao contrário dos demais, o quarto não possui Globo "irmão" no

plano a que pertence, e constitui assim o fiel da "balança" representada pela Cadeia

inteira.

É a esfera dos ajustamentos evolutivos finais, o mundo da balança Cármica,

a sala da Justiça onde se decide do curso da Mônada durante o resto de suas

encarnações no Ciclo.

E sucede, portanto, que, depois de ultrapassado esse ponto

central do Grande Ciclo — isto é, após o ponto médio da Quarta Raça da Quarta

Ronda em nosso Globo — não mais podem ingressar Mônadas no reino humano.

A

porta está fechada para este Ciclo, a balança foi nivelada.

Porque, de outro modo,

se necessário fosse admitir uma alma nova para cada um dos inúmeros milhares de

seres humanos que desaparecem, e não existisse reencarnação, seria em verdade

difícil encontrar "lugar" para os "espíritos" que perderam o corpo; e nunca haveria

explicação para a origem e as causas do sofrimento.

A ignorância dos princípios

ocultos e a acumulação de falsos conceitos sob o pretexto de educação religiosa foi

o que deu lugar ao materialismo e ao ateísmo, como protesto contra a suposta

ordem divina das coisas.

As únicas exceções à regra já citada são as "raças mudas", cujas

Mônadas já se acham dentro do estado humano, pelo fato de que tais "animais" são

posteriores ao homem e semi-descendentes dele; os últimos e mais adiantados

espécimes são os antropóides e outros símios.

Estas "aparências humanas" não

passam, na realidade, de cópias deformadas da humanidade primitiva, aspecto do

qual nos ocuparemos com amplitude no volume seguinte.

Eis, em linhas gerais, o que diz o Comentário:

1. Cada Forma na terra e cada Ponto [átomo] no Espaço

tendem, em seus esforços de autoconstrução, a seguir o

modelo posto à sua frente, o “Homem Celeste"... A

involução e a evolução do átomo e o seu crescimento e

desenvolvimento externo e interno têm um só e mesmo

objetivo, o Homem, o Homem como a forma física mais

elevada e última sobre a Terra; a "Mônada" em sua

totalidade absoluta e em sua condição de desperta —-

como culminação das encarnações divinas na Terra.

2. Os Dhyânis [Pitris] são os que desenvolveram os seus

Bhûta [Duplos] de si mesmos e cujo Rûpa [Forma] se tornou

o veículo de Manadas [Princípios Sétimo e Sexto] que

haviam completado o seu ciclo de transmigração nos três

Kalpas [Rondas] precedentes.

Então eles [os Duplos

Astrais] se convertem em homens da Primeira Raça

Humana da Ronda.

Mas não estavam completos, e eram

desprovidos de entendimento.

Explicaremos isto mais adiante.

Basta dizer, por enquanto, que o homem,

ou melhor, a sua Mônada, existiu sobre a Terra desde o começo desta Ronda.

Mas,

até a nossa Quinta Raça, as formas externas que revestiam os Duplos Astrais

Divinos passaram por modificações e se consolidaram nas sub-raças; e a forma e a

estrutura física da fauna se alteravam, pois tinham que se adaptar às condições

sempre mutáveis da vida neste Globo, durante os períodos geológicos de seu ciclo

de formação.

E essas modificações continuarão em cada Raça-Raiz e em cada sub-

raça principal, até a última da Sétima Raça desta Ronda.

3. O homem interno, agora oculto, era então [nos primórdios] o

homem externo.

Era a progênie dos Dhyânis [Pitris], o "filho

parecido com o pai". À semelhança do lótus, cuja forma

externa assume gradualmente a figura do modelo que se

acha dentro dele, assim a forma humana evolucionou,

desde o começo, de dentro para fora.

Mais tarde, no ciclo

em que o homem principiou a procriar a sua espécie como

atualmente o faz o reino animal, sucedeu o inverso.

O feto

humano reproduz agora em suas transformações todas as

formas que a estrutura física do homem assumiu ao longo

dos três Kalpas [Rondas], durante as tentativas da matéria

não inteligente [por ser imperfeita], em seus cegos

impulsos, para dar revestimento plástico à Mônada.

Na era

presente, o embrião físico é, sucessivamente, uma planta,

um réptil e um animal, antes de se tornar definitivamente um

homem, capaz de, por Sua vez, desenvolver dentro de si

mesmo o seu duplicado etéreo.

Foi este duplo etéreo [o

homem     astral]   que,   no   princípio,   carecendo   de

entendimento, se deixou prender nas malhas da matéria.

Este "homem" pertence, porém, à Quarta Ronda.

Como se vê, passou a Mônada por todas as formas transitórias de cada

um dos reinos da Natureza, nelas viajou e foi aprisionada, durante as três Rondas

precedentes.

Mas a Mônada que se converte em humana não é o Homem.

Na

presente Ronda — com exceção dos mamíferos mais elevados depois do homem,

os antropóides destinados a extinção durante a nossa raça atual (quando suas

Mônadas forem libertadas, passando às formas astrais humanas, ou dementais

superiores, das Raças Sexta e Sétima, e depois às formas humanas inferiores da

Quinta Ronda — já não existe nenhuma unidade, em qualquer dos reinos, animada

por Mônada que deva converter-se em humana num estágio ulterior; tais unidades

são animadas exclusivamente pelos dementais inferiores de seus respectivos reinos.

Estes "elementais", por sua vez, só virão a ser Mônadas humanas no próximo

Grande Manvantara planetário.

Efetivamente, foi antes do início da Quinta Raça-Raiz que se encarnou a

última Mônada humana.

A Natureza não se repete jamais; em conseqüência, os antropóides dos

nossos dias começaram, no meado do período Mioceno, como sucede em todas as

gerações cruzadas, a mostrar uma tendência cada vez mais acentuada, à medida

que transcorria o tempo, para regressar ao tipo de seu primeiro pai, o gigantesco

Lêmuro-Atlante, amarelo e negro.

Inútil procurar o "elo perdido". Daqui a milhões e

milhões de anos, as nossas raças atuais, ou melhor, os seus fósseis, parecerão aos

sábios do fim da Sexta Raça-Raiz como os restos insignificantes de pequenos

símios — uma variedade extinta do genus homo.

Os antropóides constituem uma exceção, porque não fazem parte do

plano da Natureza, mas são o resultado direto de criação feita pelo homem não

dotado de mente.

Os hindus atribuem origem divina ao símio, porque os homens da

Terceira Raça eram deuses de outro plano, que se haviam tornado em mortais

"desprovidos de mente". Já nos referimos a este ponto em Isis sem Véu, faz doze

anos, com toda a clareza que era então possível; e ali recomendamos ao leitor que

se dirigisse aos brâmanes, se quisesse inteirar-se dos motivos da consideração por

eles dispensada aos símios.

"Ficaria o leitor sabendo — se porventura o brâmane o julgasse digno de

uma explicação — que o hindu vê no símio o que o Manu desejava que ele visse: a

transformação de uma espécie mais diretamente relacionada com o da família

humana, um ramo bastardo enxertado no tronco antes da perfeição final deste

último.

Poderia saber ainda que, aos olhos dos 'pagãos' ilustrados, o homem

espiritual ou interno é a coisa, e outra coisa o seu invólucro terrestre e físico; que a

natureza física, esta grande combinação de correlações de forças físicas, sempre

em busca da perfeição, tem que se valer dos materiais que encontra à mão; que ela

modela e remodela incessantemente a sua obra, e, coroando-a com o homem, o

apresenta como o único tabernáculo digno de receber a projeção do Espírito

Divino416."

E, em nota ao pé da página, mencionamos o livro de um sábio alemão —

a saber:

"Um sábio hanoveriano publicou recentemente um

livro intitulado Ueber die Auflösang der Arten durch

Natürliche Zuchtwahl, em que demonstra, com muito

engenho, que Darwin se equivocou por completo quando

sustentou ser o homem descendente do símio; e afirma que,

pelo contrário, é o símio que descende do homem.

Mostra que,

no começo, a humanidade era, moral e fisicamente, o tipo e o

protótipo de nossa raça atual e de nossa dignidade humana,

por   sua    beleza    de   forma,   regularidade   dos   traços,

II, págs.

278-9.

desenvolvimento do crânio, nobreza de sentimentos impulsos

heróicos e grandeza das concepções ideais.

Isto é pura

doutrina bramânica, budista e cabalista.

A obra é profusamente

ilustrada com diagramas, quadros etc.

Declara o autor que a

decadência e a degradação gradual do homem, tanto moral

como física, podem ser facilmente retraçadas através das

transformações etnológicas até os nossos dias; e que, assim

como uma parcela da espécie humana já degenerou em

macacos, do mesmo modo o homem civilizado de hoje será

afinal sucedido por descendentes semelhantes, sob a ação

inelutável da lei de necessidade.

Se temos que julgar o futuro

pelo presente, não parece realmente impossível que uma raça

tão pouco espiritual e tão materialista venha a terminar antes

como de símios que de serafins."

Devemos acrescentar que, apesar de os macacos serem descendentes

do homem, não é verdade que a Mônada humana, que já alcançou o nível da

humanidade, venha de novo a encarnar-se na forma de um animal.

O ciclo de "metempsicose" para a Mônada humana está encerrado, uma

vez que estamos na Quarta Ronda e na Quinta Raça-Raiz.

É oportuno advertirmos o leitor — pelo menos aquele que já leu o Esoteric

Buddhism — de que as Estâncias que se seguem neste e no volume seguinte tratam

apenas da evolução em nossa Quarta Ronda.

Esta Ronda é o ciclo do "ponto de

inflexão", depois do qual a matéria, tendo chegado ao extremo inferior, enceta o seu

caminho para o alto, espiritualizando-se progressivamente em cada nova raça e em

cada novo ciclo.

Ao estudante importa, pois, ficar atento a fim de não ver contradição

onde ela não existe; já que, no Esoteric Buddhism, se alude às Rondas em geral,

quando aqui só nos ocupamos da Quarta, ou seja, de nossa Ronda presente.

Ali se

cogitou do trabalho de formação; aqui se cogita do de reforma e de perfeição

evolucionária.

Finalmente, para concluir esta digressão, ocasionada por diversas

concepções errôneas, mas inevitáveis, devemos fazer referência a uma afirmativa

do Esoteric Buddhism, que produziu uma impressão penosa em muitos teósofos.

Invoca-se freqüentemente uma frase pouco feliz da mesma obra como prova do

materialismo da doutrina nela exposta.

O autor, referindo-se ao progresso dos

organismos sobre os Globos, diz o seguinte:

"O reino mineral não desenvolverá mais o reino

vegetal...   a Terra não pôde desenvolver o homem do símio

enquanto não recebeu um impulso417..."

Correspondem tais palavras, literalmente, ao pensamento do autor, ou

não passam, como acreditamos, de um lapsus calami? É questão que está por

decidir.

Vimos com real surpresa que o Esoteric Buddhism não era bem

compreendido por alguns teósofos, ao ponto de fazê-los crer que se dava inteiro

apoio à teoria evolucionista de Darwin, especialmente quanto à descendência

humana de um antepassado pitecóide.

Um membro da Sociedade Teosófica

escreveu-nos: "Suponho haverdes percebido que três quartos dos teósofos, e ainda

muitos que não o são, imaginam que, no tocante à evolução do homem, Darwin e a

Pág.

48.

Teosofia estão de acordo." Tal coisa não ocorre, nem o Esoteric Buddhism

pretendeu dizê-lo, estamos certos.

Repetidas vezes se afirmou que a evolução,

conforme ensinada por Manu e Kapila, era a base das doutrinas modernas; mas

nem o Ocultismo nem a Teosofia sustentaram jamais as teorias inconsistentes dos

darwinistas atuais, e muito menos a descendência simiesca do homem.

Voltaremos

ao assunto mais adiante.

Bastará, porém, consultar a página 47 da obra

mencionada, para ler ali que:

"O Homem pertence a um reino inteiramente distinto

do reino animal."

Depois de uma afirmação assim tão clara e inequívoca, é de estranhar

que estudantes atentos se deixassem induzir a semelhante erro, a não ser que

tivessem a intenção de acusar de grosseira contradição o autor.

Cada Ronda repete em escala mais elevada o trabalho evolucionário da

Ronda precedente.

E, salvo para alguns antropóides superiores, a que já ,nos

referimos, o impulso monádico ou evolução interna se deteve, até o próximo

Manvantara.

Não será demais insistir em que as Mônadas humanas que atingiram

pleno desenvolvimento devem passar a outras esferas de ação, antes que a nova

massa de candidatos surja neste Globo ao iniciar-se o ciclo seguinte.

Há, deste

modo, um período de pausa; e é por isso que, durante a Quarta Ronda, o homem

aparece na Terra antes de toda criação animal, conforme explicaremos

oportunamente.

Apesar disso, tem-se propalado que o autor do Esoteric Buddhism

"sustentou o darwinismo". Sem dúvida, algumas passagens do livro parecem

autorizar esta conclusão; além disso, os próprios ocultistas mostram-se dispostos a

reconhecer alguma exatidão na hipótese darwinista, no que concerne a certas

minúcias e leis secundárias da evolução após o meado da Quarta Raça.

Do que

aconteceu, nada pode a Ciência saber de positivo, pois assuntos que tais

permanecem de todo fora de sua esfera de investigação.

Mas o que os ocultistas

jamais admitiram, nem admitirão, é que o homem tenha sido um símio nesta ou em

qualquer outra Ronda, ou que tal fosse possível, por maior que seja a semelhança

entre o corpo humano e o do macaco.

Confirma-o a mesma fonte autorizada de

onde o autor do Esoteric Buddhism recolheu as suas informações.

Assim, a todos aqueles que põem diante dos olhos dos ocultistas estas

linhas do livro citado:

"Basta    isto   para   mostrar    que    podemos

razoavelmente conceber (e o devemos, se de algum modo

desejamos falar destes assuntos) um impulso de vida que dá

nascimento às formas minerais como sendo da mesma

natureza do impulso cuja função é elevar uma raça de símios a

uma raça de homens rudimentares418."

— a todos esses, repetimos, que citam a passagem ora transcrita como indicativa de

uma "tendência definida" para o darwinismo, respondem os ocultistas com a própria

explicação do Mestre do Sr. Sinnett, que certamente teria retificado aquelas palavras

se escritas fossem com o espírito que se lhes atribui.

À autora da presente obra foi

enviada, há dois anos (1886), juntamente com outras, uma cópia da carta do Mestre,

com observações adicionais para serem usadas na elaboração de A Doutrina

Secreta.

Pág.

46.

A carta principia considerando as dificuldades que.se deparam ao

estudante ocidental para conciliar alguns fatos dados a conhecer anteriormente com

a evolução do homem pelo animal, ou seja, dos reinos mineral, vegetal e animal; e

recomenda ao estudante que se guie sempre pela doutrina da analogia e da

correspondência.

Alude em seguida ao mistério dos Devas e dos Deuses, que

devem passar por estados que se convencionou chamar de "mineralização, ervação,

zooniação e, finalmente, encarnação"; e explica, usando palavras veladas, a

necessidade de haver casos de malogro até mesmo entre as raças etéreas de

Dhyân-Chohans.

São estas as suas palavras a tal respeito:

"Estes 'casos de malogro419' estão por demais

desenvolvidos e      espiritualizados   para      que   possam ser

necessariamente afastados para trás da condição Dhyân-

chohânica, e lançados no torvelinho de uma nova evolução

primordial através dos reinos inferiores420..."

Depois disso, há somente uma ligeira referência ao mistério contido na

alegoria dos Asuras caídos, alegoria que será explicada com minúcia nos volumes III

e IV.

Quando o Carma alcançar aqueles "casos de malogro" no plano da

evolução humana,

"Terão eles que sorver até a última gota a taça

amarga da retribuição.

Virão a ser, então, uma Força ativa,

associando-se com os Elementais, as entidades adiantadas do

São os seres que falharam.

The Mahatma Letters, pág.

87.

reino animal puro, para desenvolver o tipo perfeito da

humanidade."

Estes Dhyân-Chohans, como vemos, não passam através dos três reinos,

tal como o fizeram os Pitris inferiores, nem se encarnam em homens antes da

Terceira Raça-Raiz.

Eis o que rezam os ensinamentos:

"Ronda I. O Homem da Primeira Ronda e da

Primeira Raça no Globo D, nossa Terra, era um ser etéreo [um

Dhyâni     Lunar,     como   homem]   não    inteligente,   mas

superespiritual, correspondendo, segundo a lei da analogia, ao

homem da Primeira Raça da Quarta Ronda.

Em cada uma das

raças e sub-raças seguintes.. . ele se vai desenvolvendo cada

vez mais como ser revestido de matéria ou encarnado, mas

ainda com preponderância etérea... Carece de sexo e, como os

animais e vegetais, desenvolve corpos monstruosos, em

correspondência com o meio rude em que vive.

Ronda II. O homem ainda é gigantesco e etéreo; o

seu corpo se torna, porém, mais firme e condensado; é um

homem mais físico, ainda menos inteligente que espiritual (*),

porque a evolução da mente é mais lenta e mais difícil que a da

estrutura física...

Ronda III.

Possui agora um corpo perfeitamente

concreto ou compacto; no princípio, sua forma é a de um

macaco gigante, mais inteligente, ou antes, mais astuto que

espiritual.

Porque, no arco descendente, chegou a um ponto

em que a sua espiritualidade primordial é eclipsada e

obscurecida pela mentalidade nascente (**). Na segunda

metade da Terceira Ronda, sua estatura gigantesca decresce,

seu corpo melhora em contextura; torna-se um ser mais

racional, embora pareça mais um símio que um Deva... [Tudo

isto se repete, quase exatamente, na Terceira Raça-Raiz da

Quarta Ronda.]

Ronda IV. O intelecto tem considerável progresso

nesta Ronda.

As raças [até então mudas] adquirem a

linguagem humana [atual] neste Globo; e, a partir da Quarta

Raça, a linguagem se aperfeiçoa e cresce o conhecimento.

Neste ponto médio da Quarta Ronda [e da Quarta Raça-Raiz

ou Atlante], a humanidade transpõe o ponto axial do ciclo

Manvantárico menor.

.. o mundo se enriquece com os

resultados     da   atividade    intelectual,      mas   decresce   em

espiritualidade421...”

O que precede foi extraído da carta autêntica; o que se segue são

observações posteriores e esclarecimentos adicionais traçados pela mesma mão em

forma de notas.

"(*) ...A carta original continha ensinamentos gerais

— uma visão panorâmica — e não particularizava coisa

Compare-se com The Mahatma Letters, págs.

87 e seguintes (ed. 1930).

alguma.

. . Falar do homem físico, limitando a informação às

primeiras    Rondas,     seria   retroceder    aos    milagrosos     e

instantâneos 'trajes de pele'... O que se pretendia significar

era: a primeira 'Natureza', o primeiro 'corpo', a primeira

'mente', no primeiro plano de percepção, no primeiro Globo, na

primeira Ronda.

Porque o Carma e a evolução

"...reuniram em nossa estrutura

Extremos sobremodo estranhos

de Naturezas diferentes422,

que à maravilha se entrelaçam..."

"(**) Interpretai: Alcançou ele agora o ponto [por

analogia, e como na Terceira Raça-Raiz da Quarta Ronda], em

que sua espiritualidade primordial [a do homem-anjo] é

eclipsada e obscurecida pela nascente mentalidade humana —

e tereis a versão verdadeira..."

Aí estão as palavras do Mestre: o texto, as frases e as notas explicativas,

entre aspas.

Compreender-se-á que deve existir enorme diferença entre termos

como "objetividade" e "subjetividade", "materialidade" e "espiritualidade", quando

aplicados a planos diferentes de existência e de percepção.

Tudo isso deve ser

tomado em seu sentido relativo.

As Naturezas das sete Hierarquias ou Classes de Pitris e Dhyân-Chohans, que compõem a nossa natureza e os nossos corpos — tal é o sentido.

Não é, pois, de surpreender que um autor, entregue a suas próprias

especulações, e ainda inexperiente em ensinamentos desta ordem, sem embargo do

seu empenho e aplicação no estudá-los, se houvesse equivocado uma que outra

vez.

A diferença entre as "Rondas" e as "Raças" não estava, aliás, suficientemente

definida nas cartas recebidas, já que nenhuma indagação se fizera nesse particular.

Um discípulo oriental teria logo percebido as coisas sem maior dificuldade.

Vejamos mais o que diz uma carta do Mestre:

"Os    ensinamentos      foram    comunicados      sob

protesto... Eram, por assim dizer, artigos de contrabando.

. . e,

quando fiquei somente com um dos correspondentes, o outro,

Sr. ... havia de tal modo confundido as cartas que pouco me

era possível dizer, sem ir além da área permitida."

Os teósofos "a quem isso possa interessar" entenderão o que tais

palavras significam.

Fica assim positivado que as cartas nada continham que autorizasse o

asserto de haver a Doutrina Oculta alguma vez ensinado, ou qualquer Adepto

perfilhado, a não ser talvez metaforicamente, a absurda teoria moderna de que o

homem descende de um antepassado simiesco — um antropóide da espécie animal

de nossos dias.

Ainda hoje há, no mundo, mais homens parecidos com macacos do

que, nas selvas, macacos parecidos com homens.

Na Índia o símio é tido em conta

de sagrado porque sua origem é bem conhecida dos Iniciados, posto que oculta sob

o denso véu da alegoria.

Hanumâna é filho de Pavana ("Vayu", o deus do vento)

com Anjana (mulher do monstro Kesari); variando, contudo, a sua genealogia.

O

leitor, tendo presente este pormenor, encontrará no volume II e IV, passim, a

explicação completa de tão interessante alegoria.

Os "homens" da Terceira Raça (os

que se separaram) eram "Deuses" por sua espiritualidade e pureza, embora

desprovidos de razão e de mente humana.

Esses "homens" da Terceira Raça, antepassados dos Atlantes, eram

precisamente gigantes tão parecidos com símios e tão desprovidos de razão e de

intelecto como aqueles seres que representaram a humanidade da Terceira Raça.

Moralmente irresponsáveis, os "homens" da Terceira Raça, mantendo

relações antinaturais com espécies animais inferiores a eles, deram origem àquele

"elo perdido" que, em épocas posteriores (no período Terciário somente), veio a ser

o remoto antepassado do verdadeiro símio, tal qual o conhecemos hoje na família

pitecóide.

Se parecer que isso colide com a afirmação de que o animal é posterior ao

homem, lembraremos ao leitor que esta referência deve entender-se como restrita

aos mamíferos placentários.

Naqueles remotos tempos existiam animais como a

zoologia atual nem sequer pode imaginar; e os modos de reprodução não eram

idênticos aos conhecidos pela fisiologia moderna.

Não será talvez conveniente tratar

destes assuntos publicamente; mas não há contradição nem impossibilidade no que

ora enunciamos.

Em suma: os primeiros ensinamentos, por mais vagos, fragmentários e

insuficientes que tenham sido, absolutamente não apoiavam a tese de que o

"homem" proviesse do "macaco"; nem o autor do Esoteric Buddhism diz coisa

diferente em seu livro, pelo menos em termos precisos; aconteceu apenas que as

suas tendências científicas o induziram a servir-se de palavras que poderiam dar azo

àquela interpretação.

O homem que precedeu a Quarta Raça, a Atlante, apesar da

semelhança que pudesse fisicamente aparentar com um "símio gigantesco"

(arremedo de homem não dotado de vida humana), era, ainda assim, um ser que

falava e que pensava.

A raça lêmuro-atlante era altamente civilizada; e, a aceitarmos

a tradição — que como história é mais exata que a ficção especulativa que hoje

passa com esse nome —, a sua civilização alcançou um grau superior ao nosso, não

obstante toda a ciência e todo o malformado progresso dos nossos dias; queremos

referir-nos especificamente aos Lêmuro-atlantes do fim da Terceira Raça.

E agora é tempo de voltarmos às Estâncias.